sábado, 18 de outubro de 2008

BANCO DO BRASIL, 200 ANOS FAZENDO O FUTURO



Fundado em 12 de outubro de 1808, pelo Rei D. João VI, O Banco do Brasil esteve presente em muitos acontecimentos políticos e decisões históricas do País.

Seu aniversário foi lembrado por quase toda mídia. No JB foi manchete de primeira página, destacando seu pioneirismo marcado em toda sua trajetória ao longo dos seus 200 anos, sendo o primeiro Banco a ter ações na bolsa, a oferecer crédito agrícola e industrial, a criar o cheque especial, a unificar crédito e débito num só cartão, a investir em desenvolvimento regional sustentável e a oferecer atendimento aos brasileiros no exterior. Portanto é o Banco do Desenvolvimento Regional Sustentável, do Agronegócio e do Comércio Exterior, Banco de Inovação e da Conveniência, do Crédito, da Cultura e do Esporte, Banco do Mundo e da Tecnologia Social.

O Banco do Brasil por ser presente em todo canto do País, foi marcante e decisivo no desenvolvimento de pequenas comunidades. Aqui em Tupanatinga, foi inaugurado em agosto de 1979, na administração do Prefeito da época, Sr. Artur Flor de Sousa. A cidade capengava ainda. As estradas que nos interligavam com os demais municípios nem eram asfaltadas, e o sistema de abastecimento de água era a base de "cacimbas". Devido a carência de escola e professores, muitos dos funcionários do Banco, vindo de outras regiões contribuíram na formação educacional dos nossos jovens. A partir de então, o progresso foi chegando e a Cidade foi adquirindo forma.

Parabéns, Banco do Brasil, pelo seus 200 anos de desenvolvimento, sobremaneira nas longínquas cidades, onde sem sua presença, seria impossível pensar algum progresso!


INAUGURAÇÃO DA AGENCIA DO BANCO DO BRASIL EM TUPANATINGA EM AGOSTO DE 1979

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Em Recife um novo João; em Tupanatinga um novo Manoel.

Em Recife um novo João irá governar a cidade nos próximos quatro anos. Aqui em Tupanatinga, sai Manoel de Roque e entra Manoel Tomé.
Manoel Tomé Cavalcante foi eleito com 57% dos votos válidos. Assim como João , Manoel é sucessor do atual prefeito: "de João pra João; de Manoel para Manoel".

Manoel Ferreira dos Santos (Mané de Roque-Prefeito atual) foi além do Prefeito do Recife, João Paulo:
João Paulo entra para história política da Capital como o primeiro prefeito de capital reeleito a fazer seu sucessor.
Mané de Roque é o primeiro prefeito a eleger dois sucessores: Duca Feitosa em 1996 e Manoel Tomé em 2008.
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A curiosidade é que Mané de Roque venceu todas as suas disputas, desde a época da candidatura a vereador.

Em Recife, o novo João, já deu seu grito de independência: dois dias após a eleição, informou que terá equipe própria de governo, e que não fará administração igual a de João Paulo (Jornal Diário de Pernambuco, 06 de outubro).

Quanto ao nosso novo Manoel ainda não se tem informação oficial. A população, todavia, ansiosa espera a posse do novo prefeito para ver qual será sua atitude como administrador: será um seguidor de Mané de Roque ou fará um governo diferente?...
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Dos nove vereadores eleitos que comporão a câmara, seis são da coligação da situação. Dos antigos vereadores somente três se reelegeram. Entre os novos eleitos constam alguns vereadores bastante jovens.
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Vereadores eleitos:
RENATO DE BRAZ
GILSA
IDELFONSO
QUINCA
CICERO DE GREGORIO
RIMOALDO
NENEN DA BAIXA GRANDE
MARA
ARTUR JUNIOR
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Da Câmara de Vereadores espera-se novas atitudes, visto que a formação atual encontrava-se bastante desacreditada.
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Neste país em que as instituições encontram-se desacreditadas, é muito importante que os poderes executivo e legislativo de nosso município façam um trabalho sério e responsável, elevando a auto-estima do povo, com melhoria na educação, cultura, saúde, desenvolvimento, liberdade de expressão, respeito a democracia e a dignidade do povo, etc. É isto que o povo de Tupanatinga precisa e espera.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Consciência Política

Por Edezilton Martins
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Num trabalho escolar da minha filha de 10 anos, ontem, numa interpretação de texto sobre trabalho infantil, havia a pergunta: “o que você entende por consciência”?.. Respondi, sem consultar o dicionário: "consciência é a percepção e entendimento das diversas situações". Complementei a definição ministrando uma aula para minha filha sobre consciência política, consciência ecológica, educação, democracia, ideologia política, etc.

Hoje (15/10) assisti ao filme “O caçador de Pipas”, entendi que consciência é fazer o que deve ser feito. Consciência é obrigação. Consciência é aquilo que fizeram os brasileiros que desafiaram a Ditadura Militar.

No dia da eleição, em Tupanatinga-Pe, os eleitores, por volta das 16h00minhs, fizeram um arrastão pelas ruas da cidade: era gente muito simples... Mas entre eles algumas pessoas destoavam do grupo: um e outro ilustre, gente com todos os dentes na boca. Difícil até pensar?.. Foi uma cena cinematográfica... Para nunca mais esquecer (... o homem despolitizado, mergulhado na miséria, desdentado, perdido dentro do arrastão).

A massa que fazia o arrastão agia como na música de Geraldo Vandré (paródia): “caminhando e gritando e seguindo a multidão, há gente desenganada, amada ou não, quase todas perdidas com calos nas mãos... São todos iguais, desdentados ou não”.

O povo sem consciência política é manipulado pela magia que os ricos exercem sobre os pobres. Tem visão imediata que o torna suscetível a errar nas suas escolhas políticas e pessoais. Um povo, via de regra, vendido ou iludido.
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Temos uma luta pela frente: junto com desenvolvimento, lutar para melhorar os modos de percepção e de ação do povo. Precisamos educar nossos filhos para que eles não sejam conformados e alienados políticos.
Que nossos filhos, os novos brasileiros, componham o arrastão da difusão da educação e cultura, com promoção da cidadania, liberdade e igualdade. Esta é a revolução de verdade; a vitória dos bons.
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Este artigo não pretende supor que o povo fez escolha errada na eleição municipal local ; visa somente retratar o comportamento geral.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Educação em Tupanatinga

Por Edezilton Martins

Nesta sexta-feira (19/09) os professores de Tupanatinga voltaram ao trabalho.
O juiz da comarca de Buíque deu ganho de causa às reivindicações dos professores. Termina assim, com sucesso, a primeira greve da história de Tupanatinga.

O IDEB de Tupanatinga ref. 2007 é 3,3, enquanto o IDEB nacional é 4,2. Ou seja, a qualidade da educação de Tupanatinga não é boa. O salário do professor, mesmo com aumento, está longe de ser o ideal. Atualmente, muitos professores ganham um salário mínimo; uma minoria ganha ganha acima do mínimo.

Agora é a hora dos professores e sociedade se mobilizarem para melhorar a qualidade de ensino de Tupantinga, exigindo do novo administrador municipal em 2009:
a) gestão profissional e técnica da educação;
b) investimento em formação de professores, como pós-graduação paga pelo município, cursos de capacitação, convênio de capacitação com universidades da região;
c) Mobilizar os pais para que participem da educação escolar dos filhos de forma mais efetiva;
d) Exigir que a prefeitura proporcione um local/condições para que os alunos, que não têm pais em condições de complementarem a educação escolar em suas casas, possam ser ajudados;
e) promoção de avaliações periódicas de desempenho dos professores, premiando com aumento de salário ou bônus os que se destacarem;
f) salas de aula com material e equipamentos adequados (sala de vídeo, ambiente de informática, livraria, etc);
g) premiação aos alunos que se destacarem com bolsas de estudo;
h) criação da casa de apóio ao estudante em Recife;
i) efetivação de concurso público para professores;
h) criação do ambiente cultural/democrático onde a população possa exercer a cidadania;
i) investimento em cultura;
j) montagem de uma biblioteca pública, com incentivo a leitura;
k) internet grátis para a população;
j) etc.

É preciso que o Sindicato dos Professores façam valer as suas promessas de melhoria de ensino.
Que o próximo administrador municipal adote a educação e a cultura como prioridades de governo.
É isto que pais e alunos devem exigir de professores, instituições e governo.

ENCONTRO DE JOVENS E PPNE

Neste domingo (21/09) ocorreu, no novo ginásio de esportes, um encontro de Jovens de Tupanatinga, com o tema: ”E aí, jovem, o que você pensa do futuro?”.
O encontro foi promovido pela igreja católica e os debates giraram sempre em torno da fé: “a fé como sentido para a vida”.
A única preocupação é de que a fé conforma, sendo que os jovens deveriam ser mais inquietos/idealistas. Nesta idade, entre 12 e 18 anos, é momento do jovem escolher sua linha de ação na vida: opção pela ética,justiça, luta pela igualdade, contato com a literatura, o ecológico, social e cultural. Não fazendo esta opção a vida do jovem fica à deriva. A fé somente não é suficiente. O bem deve ser praticado por concepção do que é certo e do que é errado.

Destacamos a realização do 10º encontro do PPNE. Tal evento visa à inclusão social dos portadores de deficiência física das zonas urbana e rural,e tem como organizadores a Escola José Emílio de Melo, seus professores e alunos,especialmente as professoras Socorro Campos e Amelinha.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

BAILE DA TERCEIRA IDADE REUNE FAMILIARES E AMIGOS


Aconteceu, nesse sábado (19/09), o segundo baile dos idosos realizado pela Secretaria de Assistência Social.
O envelhecimento não é mais sinônimo de recolhimento. Hoje, a palavra politicamente correta para definir esta faixa etária é “EXPERIENCIA”.

O governo Lula ficará marcado como o governo da inclusão. No bojo desta política a geração da terceira idade está ocupando seu espaço. Embora, discretamente. É preciso que o programa da Secretaria de Assistência Social de Tupanatinga, de inclusão de idosos, seja mais abrangente, pois atualmente atende uma parcela mínima de idosos.

Atualmente há, em Tupanatinga, o clube da terceira idade que promove exercícios físicos, artesanato, pinturas, e freqüentemente faz um arrasta-pé. No carnaval, por exemplo, o bloco da terceira idade foi destaque na avenida, e com certeza, não vai parar por ai.

Este movimento é importante, pois resgata a auto-estima de uma geração esquecida (inclusão é o contrário de esquecimento). As ações desenvolvidas promovem a inclusão social dos idosos, traz vida e experiência para uma sociedade carente de valores humanos, éticos e morais. Sobretudo, torna o idoso um cidadão com existência política.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A Obra de Fernando Pessoa

Por Edezilton Martins
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Não há dúvida de que muito do entendimento que temos é equivocado. Logo se faz necessário abalar o modo de pensar. Deus criou a verdade inatingível e a Igreja inventou uma verdade. Constato que as noções de céu, inferno e pecado perdem substancialidade.
Quando mais me aprofundo no entendimento mais constato que precisamos ver as coisas ao contrário. Somos vítimas das idéias fixas, das crenças inquestionáveis e do saber pronto.
Há na literatura exemplos extraordinários de homens que abalaram a forma de pensar de sua época, e cuja obra é eterna, porém ainda não devidamente conhecida. Entre eles destaco Nietzsche e Fernando Pessoa. Sobre Nietzsche já escrevi neste blog. Escrevo agora sobre Fernando Pessoa.
Nietzsche se definiu como um homem póstumo. "Minha obra somente será entendida pelos homens do futuro", disse. Fernando Pessoa se definiu como um caráter diferente.
A mente de Fernando Pessoa foi algo extraordinário. Havia em Pessoa um descontentamento com o humano. Descontentamento decorrente da sua percepção, baseada na sua experiência própria, do que transcende o humano, conhecimento num só entendimento da absoluta possibilidade/capacidade humana em contraste com as limitações inerentes a sua natureza. Pessoa se desvencilhando de toda forma de idéias fixas, crenças e saber pronto, sem negá-los insipientemente, deixou sua mente aberta ao novo, sua capacidade de aprendizado disponível. O que limita o entendimento são as premissas. Os dogmas religiosos constituem as premissas mais determinantes.
Corajoso ao extremo foi Pessoa. Não se limitou a ser ele mesmo, precisou ser tudo, de todos os modos ao mesmo tempo (ver a poesia “Passagem das Horas” do heterônimo Álvaro de Campos). Pessoa não sentiu tudo, porque isto seria impossível, mas ousou ser muito grande. E foi... Foi grande no uso da imaginação: utilizou-se da imaginação para multiplicar as suas experiências, porque não se contentava com pouco.

Algumas passagens de Pessoa ele mesmo: “A vida é breve, a alma é vasta” / “Ser descontente é ser homem” / “Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena” / “Quem quer passar além do bojador, tem que passar além da dor”.

Algumas passagens do heterônimo Alberto Caeiro: “Há metafísica bastante em não pensar em nada” / “pensar em Deus é desobedecer a Deus” / “É preciso não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores; há idéias apenas” / “sentir é estar distraído” / “o que penso eu das coisas? Sei lá o que penso eu das coisas?... Se eu adoecesse pensaria nisto”.

Algumas passagens do heterônimo Ricardo Reis: “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo, e ao beber nem recorda que já bebeu na vida. Para quem tudo é novo e inacessível sempre” / “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim a lua toda brilha, porque alta vive”.

Algumas passagens do heterônimo Álvaro de Campos: “excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma” / “sentir tudo de todas as maneiras, viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, realizar em si toda a humanidade de todos os momentos, num só momento difuso, profuso, completo e longínquo” / “não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos são os três heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa (heterônimo: pessoa não real inventada por Pessoa como tendo vida real para o público). Cada um dos heterônimos pensa de modo distinto; discordam entre si, mas também se completam. A heteronímia foi a forma que Pessoa encontrou de pensar tudo na literatura e na vida pessoal.

A obra de Pessoa é uma daquelas leituras imprescindíveis. Quem quiser se iniciar na leitura deve ler “O Eu Profundo e os Outros Eus”, editora Nova Fronteira, livro do qual foram tiradas as passagens inseridas neste texto.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Olimpíadas 2008

Por Edezilton Martins
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É assaz estreita a relação entre os feitos do esporte e as realizações corporativas, sucesso empresarial. O que caracteriza esta relação é o fator liderança e time.
A definição mais interessante para liderança está no livro O Monge e o Executivo: “Ser líder é servir”.
Nas partidas dos diversos esportes, sobretudo nas coletivas, se ver, particularmente, as atuações dos líderes servidores.
A partida de disputa do ouro que o futebol brasileiro feminino fez nas olimpíadas contra os Estados Unidos foi destaque a atuação de Marta.
Na partida de Volleyball masculino, na semifinal contra a Itália, quando o Brasil perdeu o primeiro set jogando abaixo do seu potencial, o destaque foi Giba. Chamou para si a responsabilidade, passou a virar todas as bolas, fazendo com que o time todo encontrasse o seu melhor volleyball.
Diferente do que vem ocorrendo com o futebol masculino: ganhou uma das últimas copas do mundo jogando mal; foi eliminado da última de modo covarde. E nestas olimpíadas foi uma vergonha. Um jogador como Ronaldinho Gaúcho não pode abdicar da função de líder: “Como jogador é um craque; como determinação mental é um perdedor.
Quando duas equipes se equivalem numa partida a determinação mental faz a diferença.
Assim como nos esportes as empresas somente obtêm sucesso se funcionam como times.

Um dos melhores sentimentos é o sentimento de vitória; campeão. Porém este sentimento não é prerrogativa dos esportistas: quem ocupa cargo de direção ou gestão de pessoas no universo empresarial pode ter o mesmo sentimento de vitória de um esportista. Bernardinho, técnico do volleyball masculino, é um excelente exemplo de gestor de pessoas de sucesso. Outro exemplo, no universo corporativo, foi Jach Welch, líder da GE que revolucionou a forma de administrar e fazer gestão de pessoas.
O sentimento de vitória pode ser vivenciado pela simples sensação do fazer bem feito, já que nem todos têm a oportunidade de assumir cargos de direção ou gestão de pessoas. Ou pela sensação de estar na vida fazendo a coisa certa, vivendo com ética, coragem e determinação.

Há, de modo geral, nas pessoas medo de serem felizes, vitoriosas, boas no que fazem, diferentes. Há, também, pessoas que ao serem boas valorizam, demasiadamente, este feito; com isto se tornam suscetíveis.
Uma pessoa, quando experimenta o sentimento de sucesso, tornar-se diferente, predestinada ao sucesso.
É necessário o sucesso. A sensação de fazer algo de modo extraordinário dá ao homem o apoio e auto-estima necessários para obter sucesso em todas as outras áreas da vida: relacionamentos pessoais, sexual, amizades, etc.
Não pode haver sucesso sem simplicidade e ética. Um homem corrupto será sempre um derrotado, ainda que aparentemente pareça vitorioso. Porque um corrupto é um covarde. O sentimento de sucesso, tão necessário para a formação do homem de sucesso, não combina com o sentimento de covardia. Ética é fundamento do sucesso.

Os esportistas de sucesso nos ensinam que não se faz um verdadeiro campeão, ou um verdadeiro homem sem simplicidade, ética e determinação mental: não há times de sucesso ou empresas de sucesso sem grandes lideres; não há grandes lideres sem ética, simplicidade e determinação mental.

domingo, 17 de agosto de 2008

Literatura da Seca

Por Edezilton Martins
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Há obras extraordinárias que abordam a sistemática da seca e da fome no Nordeste do Brasil. Só para citar algumas: “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto (na literatura); “Asa Branca” de Luiz Gonzaga (na música).
Há uma mística nostálgica em torno da temática da seca e da fome. Há diversos escritores e pensadores iniciantes que insistem em produzir literatura abordando o tema. Devíamos nos contentar com as obras já célebres, como as citadas. Precisamos ver o Nordeste noutra perspectiva.
Enquanto o Brasil cresceu, em média, 5,4% em 2007, o Nordeste cresceu 5,9%. A população nordestina está inserida, substancialmente, nos 52% da classe média, cfe pesquisa da FGV.
Enquanto mistificamos o nordeste como sinônimo de seca, fome e miséria deixamos de focar o real potencial desta região.
A mistificação enquanto modo global, holístico de ver a realidade é, didaticamente, alienadora à medida que deixamos de ver e tratar as particularidades. Isto se aplica, sobretudo, no campo político e sociológico. O político que pensa o povo de modo coletivo assume o risco de não enxergar as particularidades. O sociólogo que procede desta forma comete um tremendo erro de entendimento.
Não é que não haja seca e fome no Nordeste. Estas existem e precisam ser vistas e tratadas como particularidades. O cidadão visto como povo tornar-se anônimo. Ou seja, onde há coletividade não há justa cidadania. Porque a cidadania só existe particularizada.

Cometemos o mesmo erro quando pensamos a nação brasileira. Há bastante literatura tratando de particularidades brasileiras, embora com caráter universal: “Os Sertões” de Euclides da Cunha, “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freire, etc. É importante lermos e estudarmos tais obras. Todavia, devemos ter a consciência de que elas não descrevem o Brasil de hoje: inserido na economia mundial e emergente; do tráfico, milícias e ausência do Estado; da educação deficiente; de classe média em ascensão, hoje 52% da população. O Brasil que, em 2030, segundo o Goldman Sachs, ocupará a 5ª posição entre as maiores economias do mundo.
Vivemos outra realidade: a era da internet, das economias e saber globalizados em que não é mais necessário viajar fisicamente para conhecer o mundo. O mundo cabe na tela do computador. Isto exige que o homem tenha a mente aberta e flexível, apta e receptiva a novos entendimentos, paradigmas e culturas.
Não há lugar para disputas de religião, raça, sexo e ideologias. Luta armada, resistências, Che Guevara, Fidel Castro, etc. funcionaram no passado. O mundo, hoje, é de quem não faz guerras por ideologias ou dogmas; é de quem dispõe de caráter, educação social e diferencia-se pela competência. Esperteza é ser honesto. Isto pode parecer contraditório, pois nos parece, pelo que vemos na mídia e ao nosso redor, que os imorais estão levando vantagem.
O futuro será dominado pelas pessoas de caráter porque estas pessoas são mais comprometidas com a superação pessoal, tendentes a ter leitura mais exata das oportunidades. São pessoas amantes da literatura, das artes e da educação. Estas lhes dão um poder extraordinário.

domingo, 3 de agosto de 2008

Fernando Pessoa

Por Edezilton Martins
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Mas o que é o próprio homem senão um inseto cego e inane zumbindo contra uma janela fechada? Instintivamente pressente, para além da vidraça, uma grande luz e calor. Porém é cego e não pode vê-la; nem pode ver que algo se interpõe entre ele e a luz. Por isso esforça-se atabalhoadamente por se aproximar dela. Pode afastar-se da luz, mas não consegue chegar mais perto desta do que a vidraça o permite. Como irá a ciência ajudá-lo? Pode descobrir a irregularidade e as protuberâncias próprias do vidro, constatar que aqui é mais espesso, ali mais fino, aqui mais grosseiro e acolá mais delicado: com tudo isso, amável filósofo, até que ponto se aproxima da luz? Até que ponto esta mais perto de ver? E todavia acredito que o homem de gênio, o poeta, consegue de algum modo atravessar a vidraça e sair para a luminosidade exterior; sente calor e satisfação por ter ido tão mais longe do que todos os homens, mas mesmo ele não continua cego? Estará mais próximo de conhecer a verdade eterna?

Deixe-me levar a minha metáfora um pouco mais longe. Há alguns que se afastam da vidraça para o lado errado, recuando; porém, ao darem consigo longe dela gritam em redor, “Já a atravessamos”.

O texto acima é de autoria de Fernando Pessoa; do livro “Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal”.
O texto dispensa comentários.

A literatura nos permite de algum modo atravessar a vidraça e sair para a luminosidade exterior. Como o poeta do texto de Pessoa.

O homem precisa de mais caráter e menos religião. O homem não precisa de fé. A fé conforma.