segunda-feira, 12 de maio de 2008

O SÃO JOÃO 2008 DE ARCOVERDE JÁ É NOTÍCiA

Samba de coco raiz Arcoverde

Já comentamos neste blog a dimensão que as festividades juninas de Arcoverde ocupam na região com o evento “Forró”. Enquanto Caruaru e Campina Grande-PB disputam quem faz o melhor forró do mundo, Arcoverde-PE, capital do sertão do moxotó, diferencia-se com uma alternativa inteligente: apresenta, durante o evento do Forró, a cultura popular, o que vem atraindo turistas do País e exterior.

A mesma diferenciação que ocorre em Recife e Olinda em relação ao carnaval do Rio, São Paulo e Salvador. Recife faz um carnaval mais caloroso, mágico, deslumbrante. Carnaval do frevo, do Maracatu, ciranda e samba de coco. `

É legitimo reconhecer que Pernambuco é o pólo do forró (onde nasceu Luiz Gonzaga - Rei do Baião); do Frevo (Terra de Capiba); terra de cabra macho (onde nasceu Lampião- o homem mais destemido do sertão). Mas Pernambuco se reconhece, sobretudo, pela cultura popular.




O jornal de Arcoverde vem aos poucos se moldando como um grande Jornal, crescendo com a Cidade. Com muita criatividade e informação, neste mês, editou com autenticidade as novidades do grande evento que se está tornando o São João de Arcoverde. A surpresa são as atrações que marcam a festa: grandes nomes da MPB “Elba, Zé Ramalho e Fagner, o que diferencia o São João de Arcoverde daquelas cidades em que a festa é conduzida pelas bandas tradicionais.
Outro destaque curioso é a existência de um “Tema da Festa” que se torna debate durante as festividades. No ano passado foi a “SAGA DO VAQUEIRO”. Neste ano é “DE GONZAGÃO A LAMPIÃO”.


PROGRAMAÇÃO DAS ATRAÇÕES DO SÃO JOÃO DE ARCOVERDE



ATRAÇÕES DO SÃO JOÃO 2008 DE ARCOVERDE.
Pólo Central da Praça da Bandeira.

19/06 – 5ª-feira 22h00 - Grupo de Xaxado Cabras de Lampião
23h00 - Os Gonzagas
01h00 - Zé Ramalho

20/06 – 6ª-feira 22h00 – Forró Pau no Xote
00h00 –
02h00 – Forrozão Arreio de Ouro


21/06 – Sábado 22h00 - João Silva & Trio Juriti
00h00 – Fagner
02h00 – Forró Perfume de Mulher ou Bola Dividida

22/06 – Domingo 23h00 – Banda Pinga Fogo
01h00 – Banda Capim Cubano
03h00 – BANDA GAROTA $AFADA

23/06 – 2ª- feira 23h00 – Tonino Arcoverde
23h00 - Cordel do Fogo Encantado
02h00 – Banda Território Nordestino
04h00 – MACIEL MELO

24/06 – 3ª-feira 22h00 – Paulinho Leite
00h00 – GERALDINHO LINS
02h00 – Forró Lábios de Mel

25/06 – 4ª-feira 23h00 – FORROZÃO CHACAL
01h00 – Forró Mulher Chorona

26/06 – 5ª-feira 23h00 - Forró Fivela de Prata
01h00 – CAVALEIROS DO FORRÓ

27/06 – 6ª-feira 22h00 - Banda Oásis
00h00 - VILÕES DO FORRÓ
02h00 -

28/06 – Sábado 22h00 – Aviões do Forró
00h00 – Medalha de Ouro
02h00 - Carol & Forrozão Capim

29/06 – Domingo 22h00 – Mazinho de Arcoverde
00h00 – Elba Ramalho
02h00 – Forró Olhar de Menina

Pensando o Brasil

Por Edezilton Martins
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Recentemente escrevi neste blog sobre a “A importância da educação formal de qualidade para todos” (ver artigo). Neste artigo tratei das diferenças sociais, culturais e educacionais na sociedade brasileira. Citei que o que diferencia um brasileiro do outro é a qualidade da educação a que cada um tem acesso.

No último artigo que escrevi “Mídia e Sensacionalismo” falei que o governo Lula fez algumas mudanças na estrutura das instituições brasileiras, porém sem remodelar a educação.

Retrato do Brasil: O Brasil é um país extremamente injusto: sua riqueza está concentrada nas mãos de poucos, daqueles que exploram, roubam e ignoram a miséria da maioria. Um país corrupto. Um país que não promove educação de qualidade, que não cuida da saúde do povo. Somos um povo a procura de dignidade. Paradoxalmente, o Brasil já é considerado um país desenvolvido; e logo será um país rico.

No Brasil não devia haver crianças nas ruas das grandes cidades; não devia haver um nordeste pobre e subdesenvolvido com pais que se humilham e se vendem nas eleições para sustentarem suas famílias.
Vivemos 21 anos de Ditadura Militar em que a educação foi ignorada (para o regime militar o analfabetismo era conveniente). A educação continua sendo ignorada.

As mudanças estruturais do governo Lula representam muito pouco. O Brasil precisa de muito mais. O programa fome zero dos governos FHC e Lula é paliativo.
Lula, todavia, faz muito se comparado aos governos militares, e aos governos pragmáticos que se seguiram.

Mas como fazer o “muito mais” sem ser destronado pela mídia? Como fazê-lo com uma oposição que só quer atrapalhar com objetivo de se tornar governo? Como fazê-lo com um povo que não sabe votar, um povo que se vende, um povo que não teve educação de qualidade, um povo subserviente? Com estudantes que não querem nada?

O povo que vende seu voto não é culpado. Não tem consciência crítica, pois não recebeu educação adequada. É um povo que vive, miseravelmente, sem cidadania.

Os corruptos deste país são os responsáveis pela miséria do povo, pelo subdesenvolvimento do Nordeste, pelo analfabetismo, pela Ditadura Militar, etc. O Brasil já devia ser rico e desenvolvido faz tempo.

O Brasil já devia ser um sonho realizado: um país de iguais (cfe artigo “A importância de educação formal de qualidade para todos”). O Brasil é um país por se fazer; que não se fará sem uma remodelação da educação, e sem intervenção política na economia em prol da justiça social.

Mídia Sensacionalista

Por Edezilton Martins
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Há três tipos de homens: o superior que discute/cria idéias, o mediano que relata acontecimentos, e o medíocre que faz fofoca.
Do mesmo modo há três segmentos na mídia, seja a televisiva, a radiofônica ou a impressa: o que faz pensar, o que relata fatos, e o sensacionalista. A cobertura jornalística do caso Isabelle Nardoni caracteriza, sobremaneira, o segmento sensacionalista da mídia.

Transformou um crime numa novela campeã de audiência. Curiosamente estima-se que duas crianças são mortas por dia no Brasil de forma bárbara, sem a mídia noticiar.

Enquadramento dos canais da TV parabólica por segmento:

a) Segmento das TVs que faz pensar: TVE, TV Cultura, Futura, Canal Paraná, TV Senado,NBR e TV Câmara;
b) Segmento das TVs que relata fatos: TV Globo, Record;
c) Segmento das TVs sensacionalistas: SBT, Record, Rede TV.

Há um desses canais sensacionalistas que ocupa a maior parte da sua programação com a novela “Isabelle”, faz 45 dias.

A programação do segmento “c” no domingo é de doer na alma: Silvio Santos, Gugu, Faustão, etc.
Programação semanal: programa da Luciana Gimenez, sex shop no canal 17, etc.

O sucesso do sensacionalismo na programação televisiva denota que a sociedade brasileira é pouco crítica, mal formada.

A mídia é terrível e poderosa: já elegeu um presidente e o derrubou (Collor). Interpreta os fatos conforme lhe convém: incrimina inocentes; inocenta culpados; cria e destrói conforme seu entendimento ou má fé.

O pior da mídia é o que ela não escreve. Durante a ditadura militar, por imposição da censura, e agora porque é comprada pelos anunciantes; idem pela pouca formação crítica de seus profissionais.

O que vai acabar com esta mediocridade é a educação. O governo Lula fez mudanças estruturais nas instituições brasileiras, porém sem remodelar a educação.

Uma sociedade que se deixa influenciar pela mídia é tangida como rebanho.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Poesia de Edezilton Martins

Por Edezilton Martins
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Epifania


De repente a largata se transforma em borboleta
De repente é noite, de repente é dia
De repente.

De repente a menina se torna mulher
De repente tudo morre e renasce diferente e maior.

Em um momento somos o todo, noutro somos individual
De individual a experiência de ser uno com o todo de repente.

O momento do gozo sexual é muito pequeno.
Eternidade é consciência.

De repente o presente já é passado
A vida passa de repente.

De repente a paixão
A paixão acontece de repente e a toda hora
A mulher amada vai embora de repente.

De repente Deuses, de repente homens.
De repente.
De repente a morte.
.
De repente atingimos a aternidade.


Edezilton Martins, 04/06/2005.




O tempo passa inexorável.
Nascer é comprido; viver é mágico.

Possivelmente, a consciência seja a última realidade.

Os físicos quânticos sabem que matéria é vibração, energia e luz. E sugerem que a matéria tem origem ou sustentação na consciência.
Não se trata da consciência que temos das coisas, dos sentimentos, do outro, etc. Trata-se de algo supra-humano, mas que faz parte do homem, e que ao mesmo tempo une homem e Deus numa unidade. Deus como esta consciência supra-humana.

"Tudo é um" Heráclito. "Tudo é um ou nada tem sentido" Edezilton Martins.

Se a consciência é a última realidade, ela contém a eternidade.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

19 de abril dia do Indio

Um dia conviveremos naturalmente com a cultura do índio,visitaremos sua aldeia como se fosse nossa casa. Já usamos sua cultura como a caça, a pesca e a rede.
Para começarmos nossa homenagem ao dia do Índio, nada mal lembrarmos a música de Jorge Bem, refletindo sobre a falta de uma atenção maior ao Índio brasileiro. Em seguida recitamos uma poesia do nosso poeta Samuel Freitas, sintetizando a preocupação do índio com a fauna e a flora brasileira:

Todo dia era dia de Índio

Composição: Jorge Ben

Curumim,chama
Coatá
Que eu vou contar
Curumim,chama
Coatá Que eu vou contar

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Coatá Coatá,
Curumim

Antes que o homem aqui chegasse
As Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis

Pois todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio
Mas agora eles só têm
O dia 19 de Abril
Mas agora eles só têm
O dia 19 de Abril

Amantes da natureza
Eles são incapazes
Com certeza
De maltratarem uma fêmea
Ou de poluirem o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra,fauna e flora
Pois em sua glória,o índio
É o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria
Da alegria de viver!
Da alegria de viver!

E no entanto,hoje
O seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio
Curumim,Coatá
Coatá,Curumim
Terêrê,oh yeah!
Tecerei,oh!


Descendente de Índio
Samuel Freitas

Eu sou descendente de índio
E nasci por aqui
Eu sou mais um guerreiro
Sou Brasileiro
Descendente de Tupi

Tupã é meu pai
Cresci junto com a natureza
Cresci junto com a flora
E com os animais

Eu queria saber,
Humanos que convivem aqui,
O que pensa você?
A respeito dessa terra
Se você faz guerra
Pra matar e morrer

Preserve nossa floresta
E os povos que moram lá
Se você não quer morrer
Pra quê você quer matar



Nesta semana comemora-se o dia do índio, o qual foi criado em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, devido à data em que os índios resolveram aderir ao congresso que ocorreu no México em 1940, para discutir o índio americano.

Estima-se que em 1500 havia, aqui no Brasil, 5.000.000 de índios felizes (“Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade” Oswald de Andrade). Esta população reduziu-se a 1.000.000 de índios em 1800. Hoje a população indígena brasileira, que vem crescendo devido à política social de proteção feita pelos governos, após ditadura militar, gira em torno de 600.000.

Ouve-se falar muito, em tom de crítica, do extermínio do índio brasileiro, da barbárie do colonizador, da imposição de outras culturas ao modo de viver indígena; a catequização é um exemplo.

Reflitamos sobre o extermínio indígena:

Estudos mais completos sobre o índio é feita por diversos estudiosos; pontualmente por Gilberto Freire e Darci Ribeiro. A leitura feita por estes estudiosos, sem negar a barbárie, é que o índio faz parte da formação do povo brasileiro.
Os portugueses ao chegarem ao Brasil tornaram-se, primeiramente, procriadores. Como não havia mulheres brancas suficientes, a procriação deu-se em grande escala com a mulher índia. Os filhos de portugueses com as índias, segundo Darci Ribeiro, nem eram portugueses, nem eram índios. De outro lado o europeu assim como o negro africano introduzido depois, não eram europeus/africanos nem brasileiros. Este povo todo, sem pátria, sem identidade é que formou um novo povo, o povo brasileiro.

O extermínio do índio ocorreu pela escravização, embora o índio não tenha se tornado um bom escravo; pelas doenças do branco; pelo enlace sexual branco x índio dando origem a um novo povo; por guerras; suicídios, etc.

Todavia, a doutrinação, a dominação do índio pelo branco foi primordial para a formação de um Brasil unificado; sobretudo necessário para a formação do povo brasileiro. Desta forma o índio faz parte da história do povo brasileiro. Mas será que fazer parte da história, ter contribuído para a criação de um país unificado, civilizado justifica a barbárie? E que país civilizado temos? Qual a diferença que há entre o índio que comia humanos e um pai que joga a filha pela janela do apartamento?... (“para pensar”).

sábado, 12 de abril de 2008

A Importância da Educação Formal de Qualidade Para Todos

Por Edezilton Martins
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Segundo Darci Ribeiro (do livro “O Povo Brasileiro”) a distância social na sociedade brasileira é enorme. As distancias sociais e culturais são quase tão grandes quanto as que medeiam entre povos distintos.

Na base do funil está a massa constituída de empregadas domésticas, pequenas prostitutas e miseráveis. No topo está a classe dominante, individualista e exploradora.

A estrutura de classe brasileira é a mesma dos tempos da escravidão. De fato não acabou a escravidão no Brasil. O que houve foram adaptações sociais, onde a figura do explorador insensível e mau de um lado, e do outro a massa explorada persistiram.

Para Darci Ribeiro o pobre é feio devido sua condição de ser usado como objeto de trabalho. Quando o pobre ascende à classe dominante sua nova geração é mais bonita, e até aumenta de estatura. Este mesmo pobre ascendido perpetua a estrutura social vigente, pois não tem formação educacional suficiente para criar uma nova estrutura social. No Brasil quem tem condições financeiras e formação educacional manda; quem é dependente financeiramente ou não teve acesso à educação é subserviente.

O motivo desta dicotomia social brasileira é a diferença educacional entre os diversos segmentos que compõem o povo brasileiro.

O grande problema da sociedade brasileira está na insuficiência educacional que leva a massa a aspirar à ascensão social individualmente (inserir-se na classe dominante lhe significa a alforria).

A massa subserviente, bajuladora, sem educação formal vende o seu voto facilmente. O que segundo Darci Ribeiro perpetua a miséria.

Educação de qualidade para todos, saúde de qualidade, mesmo patamar salarial, etc. dentro de um sistema socialista fizeram de Cuba uma sociedade de iguais, diferente da brasileira.

Temos, no Brasil, uma sociedade disforme. Educação igual para todos, desenvolvimento econômico (com governos dispostos a anular os males do capitalismo) nos fará uma sociedade de iguais, em que o eleitor tenderá a não vender seu voto, escolher melhor, e o político tenderá a ser menos corrupto por imposição da sociedade.


José Edimilson disse...

Bem oportuna esta matéria. Se fossemos analisar os efeitos danosos que vivemos e sofremos, causados pela ausência da educação e principalmente da cultura, durante quase toda a história política e social do nosso Pais, talvez entendêssemos os absurdos que ainda comentemos.
Como somos uma nação despolitizada, sem acesso a educação, tornamo-nos uma sociedade cega, incapaz de ter uma visão geral dos absurdos que nos rodeiam e com isto perdemos a oportunidade de correção (de se auto-corrigir). Praticamos os mesmos erros, achando que o errado é certo. Há acadêmicos analfabetos de conscientização tão ignorantes como qualquer um leigo. Quando se aprende errado, dificilmente compreende-se o que é o correto. Por isso os problemas brasileiros são complexos e enquanto uma tenta acertar, a maioria pensa o contrário. Ainda bem que para compensar nossa cegueira, Deus que é brasileiro criou (além de cristo para salvar-nos do pecado) brasileiros como Darci Ribeiro, Gilberto Freire, e tantos outros para salvar-nos da ignorância.

12 de Abril de 2008 15:07


Ismael C disse...
Grande Ede, parabéns pela matéria. Só acrescentando: um povo culto é fruto de um povo rico!
E para propiciar riqueza em nosso pais, alguns ajustes tem que necessáriamente ser feitos. O mais relevante é uma reforma tributária. Quase 40% do PIB, atrás apenas da França e Itália, é nossa carga tributária. Nossa cesta de tributos é em sua maioria taxada no consumo. Quem ganha um salário mínimo, paga sobre uma refeição o mesmo imposto de quem ganha 10, 50 ou 100 salários. 40%!!! Além disso, é facil governar com caixa folgado e vazando por todos os lados. Uma reforma administrativa é necessária, para que gastos sejam cortados e sobrem mais verbas para as necessidades básicas (saúde, educação, segurança, infra estrutura, etc.)E uma reforma drastica nas leis trabalhistas.O velho Marx continua certo: o capital abre todas as portas.

16 de Maio de 2008 17:53

sexta-feira, 11 de abril de 2008

NÃO SÓ DE SECA MORRE-SE O NORDESTINO

Acude poço da cruz-Ibimirim-PE












O Nordeste é reconhecidamente uma região de longos períodos de estiagem. Quando falamos em Nordeste a imagem de seca toma a tela da nossa mente. Mas o que pouco se sabe é que as enchentes também fizeram, e ainda fazem muitas vítimas na região.
O Ceará é um dos estados que mais sofre, tanto com a seca quanto com as enchentes. O Oróz é um dos principais açudes que abastece regiões do estado: denota tristeza quando está seco e faz medo quando está cheio. No sertão do Moxotó, temos o açude do poço da cruz, na cidade de Ibimirim, que atualmente está cheio e recebendo muitos metros cúbicos de água, devido a grande quantidade de chuvas que vem acontecendo em todo o estado, causando preocupação com o um possível desabamento, o que tecnicamente está fora de cogitação.
Quem realmente não conhece ou não se lembra deste fenômeno(enchentes) em outras épocas, com certeza está achando distorcidas as manchetes que estão sendo noticiadas na mídia ("acha-se que não se trata do Nordeste do País"):

» Temporal deixa 12 cidades em estado de emergência no Pará
» Enchentes afetam mais de 390 mil pessoas no Nordeste
» Sem água potável, cidade alagada do PI deve receber carro-pipa
» Sobe número de cidades em situação de emergência no RN
» Piauí registra pior enchente em 25 anos

O número de municípios atingidos e de famílias desabrigadas por causa das fortes chuvas que atingem a Região Nordeste continua aumentando. Segundo dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), órgão ligado ao Ministério da Integração Nacional, o número de municípios atingidos pelas chuvas no Nordeste já chega a 250 e os afetados somam 415.691 (folha on-line).

Este paradoxo sempre existiu. As enchentes não são exclusividade sulista. Como também não é a seca exclusividade nordestina. É como dizia a profecia de António Conselheiro: "Um dia o sertão vai virar mar e o mar vai virar o sertão".

O cantor Raimundo Fagner, anos atrás, gravou uma música chamando atenção para o Brasil, dizendo que no Nordeste não só de seca morre-se o nordestino. Morre-se também de vergonha, de desespero, sem emprego, sem educação, e também se vive, principalmente, sem razão. E para consumar sua desventura, quando não é seca é enchente e a vida continua nessa dialética sem solução.

Titulo da Música: Orós 2 Artista: Fagner


"Não tem só seca no sertão
Quase acabava meu mundo
Quando o Orós impanzinô
Se rebentasse matava
Tudo que a gente plantô
Se não é seca é enchente
Ai, ai, como somo sofredô
Eu só queria saber
O que foi que o Norte fez
Pra vivê nesse pená
Todo nortista é devoto
Não se deita sem rezar
Se não é seca, é enchente, dotô
Que explicação me dá ?
Se o sulista se zangá
Dele eu não tiro a razão
Lá vem a mesma cunversa
Ou ajuda teu irmão
É triste um caboclo forte, dotô,
Ter que estender a mão
Não é só falar de seca
Não tem só seca no serão ... "


Dizem os mais antigos que as enchentes acontecem devido as súplicas exageradas feitas pelos sertanejos, durante os terços e novenas em dia de São José e em épocas de grandes períodos de estiagem. Como recompensa o santo abre as portas do céu sem piedade.

A música súplica cearense, cantada por Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, retrata esta boa vontade do céu cumprindo as suplicas cearenses.
Letra: Súplica Cearense
Composição: Gordurinha e Nelinho

"Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará"

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poetas escrevem Nossa História

Desenvolvi, enquanto universitário, varias pesquisas sobre os valores culturais de Tupanatinga. Uma das grandes dificuldades era encontrar fragmentos da nossa história: documentos de cunho científicos ou quaisquer outros que registrassem algo sobre nossa cultura, nosso povo e nossa gente.
Hoje já é possível encontrar vários registros, apresentados de forma poética pelos artistas locais ou em trabalhos acadêmicos, pelos estudantes de modo geral. Encontrei nesses dias, dois folhetos poéticos, de autores diversos (Júnior Alves e Socorro Gomes), que de forma simples registraram fatos surpreendente do inicio da nossa historia. É o caso do folheto de cordel, de Júnior Alves, aluno da escola Jose Emilio de Melo, que inicia falando do índio, primeiros habitantes não só do País, mas também desta nossa região:

“Eles vieram para cá
Fugindo da escravidão
Deixando suas aldeias
Sofrendo perseguição
Mas construíram suas vidas
Nesse pedaço de chão.

Pois se agruparam aqui
Nessa região atraente
Devido á abundância de água
Nesse lugar existente
E assim de outros lugares
Chegou aqui muita gente

Assim com Filipe Néri
Que nessa região chegou
Uma boa propriedade
Dos índios ele comprou
E fez dessa o que quis
Pois de tudo ele plantou”

Além de trazer fatos importantes sobre o nosso descobridor Filipe Néri, também fala com muita precisão da descoberta da água, uma das maravilhas do nosso Município.

“Dizem que Filipe Néri
Quando logo aqui chegou
No seu pedaço de terra
Um olho d’água estourou
Ele pegou um tronco de pau oco
E em cima deste o colocou

Então jorrou tanta água
Daquele tronco de pau oco
Que causou tanta fissura
Que dava alegria e sufoco
Uma água branca e limpa
Como a clara de um ovo
Assim falaram pra mim
E agora falo para o povo

Contudo os viajantes
Que passavam na estrada
Ouviam certos boatos
De tanta água derramada
Nascida de um pau ocado
Que na terra fora fincado”

Fatos importantes como a religiosidade dos nossos antepassados, registrando o caráter religioso daquele povo com a doação do terreno pelo Sr. Filipe Néri e a compra da imagem da santa pelo Sr. José da Silva.
A vida empresarial da época ficou também registrada no verso abaixo:

“Pois nesse povoado
Antigamente existia
Do senhor António Machado
Uma pequena padaria
E a farmácia do senhor “seba”
Aberta de dia-a-dia

Havia também a loja
De dona Teresa Simões
E a do senhor José Emilio
Que vendia a prestações
Pois a concorrência era pouca
No controle dos tostões “

E a poesia continua rimando a nossa historia, nos versos de Socorro Gomes (Socorro de cabo do Campo). Professora e poetisa, foi mais além: falou do passado e presente. Falou da cultura e da geografia, de política e economia:

“Nosso solo é muito fértil
É uma beleza pura
Só faltam os governantes
Ver mais nossa agricultura
Enxergar mais os artistas
E investir na cultura

Pois temos as nossas danças
Não vamos deixar de lado
Quadrilha, samba de coco
Forro e xaxado
Também temos dança pop
Todas são do nosso agrado

Apresentando um relevo
Mais ou menos acidentado
Uma região pouco plana
Que de longe é notado
São poucos terrenos planos
Mas não foram retratados

A serra do Catimbau
De Buíque pertencente
A serra da Mina Grande
Duas serras, tão descentes.
Essas duas belas serras
Uma parte é da gente”

Parabéns para os poetas, sobretudo os que estão fazendo a nossa história. Um pedaço ali; outro aqui. Se emendarmos os retalhos (escritos) teremos então escrito parte da nossa memória.

domingo, 30 de março de 2008

SEMANA SANTA - DIAS DE REFLEXÃO

cenas da paixão de Cristo nova Jerusalém





Passado dias após semana santa, estou de volta escrevendo comentários, pincelando idéias, que é uma atividade inteligente, proporcionada pela tecnologia, por isso criamos o Blog para interagirmos com você leitor.

Dias de reflexão: Do cálice de Chico Buarque ao Monte Castelo de Renato Russo.

Então tomei um pequeno gole de vinho, pela manhã da sexta-feira santa, para entrarmos em comunhão com essa tradição que é milenar. A idéia de Cristo é de um homem que representou a divindade; a pureza do ser; a paz entre os homens; o amor e seus atributos entre todas as nações. Para não entrar em profecias, deixei tocar, por acaso, a música de Chico Buarque “CALICE”:

“Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue.

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Pai, afasta de mim esse cálice”.

Com mais um cálice de vinho, ficou tudo consumado: todos nós morremos um pouco “a cada cale-se” do nosso dia-a-dia. Principalmente quando calamo-nos diante da possibilidade de melhorar nosso próprio mundo; de vencermos nossos medos; na covardia da nossa submissão.
Na vida nos ensinaram a dizer mais sim que não. Em troca, recebemos mais não que sim. Vivemos horas de agonia, feito cristo no monte das oliveiras.
Mas para não perder o dia que estava só começando, mudei de música. E não mais por acaso, escolhi: “Monte Castelo de RENATO RUSSO”.
A música reúne literatura Portuguesa (Soneto 11 de Camões) e o texto bíblico (carta do apostolo Paulo aos Coríntios cap. 13). Aproveite comigo e faça uma importante leitura tanto cultural como espiritual, mas não esqueça o vinho.

Soneto 11 – Luis de Camões

“O amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?”


Acima de tudo (APOSTOLO PAULO –CORINTIOS 13)
(o amor)


“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos,
se eu não tivesse o amor,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse o amor, eu não seria nada.
Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria.
O amor é paciente,
o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta,
não se incha de orgulho.
Nada faz de inconveniente,
não procura seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
mas regozija-se com a verdade.Tudo desculpa, tudo crê
, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado;
limitada é também a nossa profecia.
Mas, quando vier a perfeição,
desaparecerá o que é limitado.

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.

Depois que me tornei adulto,
deixei o que era próprio de criança.
Agora vemos como em espelho e de maneira confusa;
mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado, •mas depois conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor”.



Monte Castelo
Legião Urbana
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).


“Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece...
O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...
É um estar-se preso
Por vontade. É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade tão contrária a si
É o mesmo amor...
Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...”


Comentário de Edezilton Martins, colaborador deste blog:


Estou em estado de epifania: todas as manhãs nascemos; nasci super-homem nesta manhã; nasci ao ler seu escrito.

“Morremos um pouco a cada cale-se do nosso dia-a-dia”

Vivemos em agonia com este cale-se na boca. Vivemos na covardia da submissão.
Por isto estamos vivos; há gente demais que não mais se indigna.

“Para entender seu cale-se (cálice do Chico Buarque) é preciso ter bebido do vinho amargo da repressão (ditadura), ou ter a sensibilidade de se indignar com a ditadura que ainda existe e nos impõe o silêncio: “Mesmo calado a boca resta o peito, silêncio nas cidades não se escuta”.

Pedir para Cristo ser a redenção da nossa covardia seria ser ainda mais covarde. A covardia é nossa e com ela devemos conviver. Não gosto da representação de que Cristo redime o homem do pecado. O pecado, caso existisse, seria do homem, dele mesmo.

Precisamos de autenticidade e coragem.

30/03/2008, manhã de domingo.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Um Grande Homem: Naná de Odilon

Por Edezilton Martins
.
A sociedade de Tupanatinga perde um grande homem; um sonhador (José Edinaldo Cavalcante). Tupanatinga está órfã. José Edinaldo (Naná de Odilon) faleceu em acidente de trânsito, nesta semana.
A sociedade de hoje é carente de homens que pensam no outro; que tem postura na sociedade, na família, no ciclo de amigos, etc. Naná destoava desta sociedade egoísta.
Aos 46 anos, sonhava com uma sociedade melhor; com uma juventude vencedora. Um maçom fervoroso; um crente em Deus; um empreendedor.
Queríamos ser mágicos, e tirarmos Naná de um fundo de cartola, para a sua família, para seus amigos, para a maçonaria.
Naná é uma daquelas pessoas que ao se irem, continuam vivas na memória dos amigos: um sonhador não morre.
Temos a sensação sempre de que não fazemos tudo que podemos. Teotônio Vilela, no seu último ano de vida, fazendo um balanço da sua trajetória, disse que sua luta pela liberdade, justiça e democracia no âmbito das idéias não surtiram o efeito desejado; que queria ter 20 anos e ser o maior revolucionário da luta armada na América do Sul, e mudar o mundo. Temos o mesmo sentimento de Teotônio Vilela ao assistirmos esta ida de Naná: queríamos ter com Naná 20 anos, para mudar o mundo. Para aos 40/50 anos vivermos numa sociedade mais justa, mais democrática, não corrupta; com liberdade, justiça e decência.
Não podemos errar como pai, como família e amigo. Nisto Naná foi um exemplo maior. Sempre aspirando ao melhor para sua família e amigos. Os amigos e irmãos maçons de Naná também estão órfãos.
São muitos os valores que a sociedade moderna perdeu, mas que continuavam vivos em Naná.
“Adeus Naná! Seus ideais, seus sonhos, seus valores continuam conosco.”



Nana, uma Coluna de Sustentação da Maçonaria


A Loja Maçônica é uma herança importantíssima, deixada por dois maçons, bancários, quando estiveram em Tupanatinga, na década de oitenta, cumprindo suas missões de carreira frente ao Banco do Brasil. Um paulista, Cláudio José Soares, e um paranaense, Olavo Oliveira. E, foi de um ciclo de amizade, respeitosa, que os mesmos tiveram com o Jovem José Edinaldo(Nana) que a idéia fora de fato concretizada. Convidaram outros amigos, fundaram então, a Loja Maçônica Acácia do Agreste, localizada à rua santos Dumont, 93.
Ao longo dos anos, o irmão Jose Edinaldo, foi o único dos fundadores que se manteve coeso e fez com que a Loja Maçônica em Tupanatinga nunca fechasse as portas. Ao contrario de algumas cidades vizinhas que conviveram com interrupções freqüentes, prejudicando seus trabalhos; voltando ao funcionamento períodos depois.
A manutenção da Maçonaria em Tupanatinga é um exemplo de persistência e visão de um homem que não se acovardou, nem se rendeu ao comodismo.
Nana foi, sem dívida, uma coluna de sustentação desse sonho maçônico, milenar na historia da humanidade. E importante para os homens desta Cidade interiorana, carente de auto-estima, liberdade e fraternadidade.
Este Cidadão queria muito mais: vendo que a sociedade não cobrava ou nada fazia pelos jovens; que a educação do nosso país pouco lhes oferecia para o crescimento humano e intelectual; convocou os maçons e instalou o capítulo da Ordem Demolay, beneficiando dezenas de jovens, filhos ou não de maçom.
Uma das suas mais novas cartadas, seria tornar a maçonaria aqui do sertão, liderada pela Loja Barão do Rio Branco, da cidade de Arcoverde, uma corrente única de forças,para tornar a maçonaria de Pernambuco mais interiorana, próxima e sensível aos anseios inovadores dos irmãos sertanejos.
A maçonaria de Tupanatinga continuará coesa, e lembrará de Nana, como também de outros fundadores (irmão Mariano e irmão Izaías de Carvalho), que vivos, enalteceram a Maçonaria.


Comentarios de Amigos

Anônimo disse...
Há Homens que trabalham um dia, e são bons.Há homens que trabalham muitos dias e são muito bons.Há homens que trabalham anos e são melhores.Porém, há homens que trabalham por toda a vida, esses sim são os imprescindíveis...Assim eu vejo o grande homem que perdemos tragicamente, NANÁ FOI IMPRESCIDÍVEL, e nesta surpresa que acompanhada de muito dor, mas que com o conforto consagrado pelo Grande Arquiteto do Universo, nasce em nossos corações o orgulho de termos vivido com um homem de pensamentos e ideologias consagradas a um ser livre e bons costumes e que carregava no sangue os ideais da Liberdade - Igualdade - Fraternidade, além de inúmeras virtudes...E nesta perca imensurável, que todos, inclusive a sociedade Tupanatinguense, realize os sonhos que não foram concretizados por este grande Pai, Irmão, Amigos, Maçom... Portanto, busque referência e forças nas suas inúmeras obras, conquistas e dedicações
.Almério Magalhães Cavalcanti.
14 de Março de 2008 03:51


dilson disse...
Verdadeiramente, Tupanatinga perdeu um grande filho. Se por um lado externarmos o quanto ficamos consternados com sua partida trágica e precoce, por outro, devemos externar também o quanto foi importante sua breve, mas marcante vida. Estamos de LUTO... ...a comunidade acadêmica perdeu também, trágicamente, João Francisco de Souza, professor titular da UFPE. Este magnífico intelectual que defendia a bandeira da "Educação Popular" e era um dos principais divulgadores das idéias freireanas foi assassinado quinta-feira, em Camaçari-Bahia. Estamos de LUTO...
Dilson Cavalcanti
29 de Março de 2008 16:19


Mariano Britto disse...
Edimilson,Você tem razão, Tupanatinga está mais triste com a partida de Naná, Uma figura cativa da nossa querida cidade.Mas, neste momento palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas na imensa saudade que nós sentimos e, se por um instante Deus nos presenteasse com mais um pouco de vida ao lado dessa pessoa tão querida, possivelmente não diríamos tudo o que pensamos, mas definitivamente pensaríamos em tudo o que dissemos.Lembrar do Amor e Respeito que Naná tinha pelos jovens de nossa sociedade, e concomitantemente pelo Capítulo Deusa Branca é enaltecedor para aqueles que fazem parte deste âmbito tão sagrado e edificante da nossa personalidade, que é a Maçonaria. Em especial a nossa querida Acácia do Agreste...Portanto, pensando no que dissemos, fizemos e sentimos, percebemos que os momentos de história que ele realizou aqui na terra foram mais grandiosos do que pequenos.Dizem que apenas a nossa língua possui uma palavra para expressar este tão intenso sentimento: SAUDADE. Penso que saudade é muito mais do que uma expressão, a palavra fica mais pobre diante da grandiosidade do que se sente. Saudade, essa dor tão doida é muito mais que falta, ausência, nostalgia ou qualquer outro substantivo. Saudade é perda, é a certeza da impossibilidade de resgatar algo já vivido, saudade é a dor algumas vezes quase insuportável, diante daquilo que já foi e que nunca mais poderá ser retomado. Saudades de verdade, apenas sentimos quando tomamos consciência, de que o tempo não existe, o movimento nos transporta pelos dias, anos e vamos passando pela vida como um filme diante de uma platéia estática. E como areia fina essa vida vai escoando-se entre os dedos, deixando pelo caminho o rastro das dores, alegrias, perdas e conquistas. Caminho esse que nunca mais voltaremos a trilhar.Saudade é muito mais do que morte, saudade é vida, é o agora que já deixou de ser presente, mas deixou na memória o registro da intensidade do instante vivido. É a lembrança gravada de forma perene dos pequenos e grandes fatos de nossa história.Portanto ao menos resta-nos o consolo de sabermos que, quanto maior for a saudade que sentirmos, com certeza, mais rica terá sido nossa vida vivida.Assim nos consola saber que: Quanto maior a saudade que sentimos por Naná, mais certos ficamos de quão rica foi a nossa amizade, quão ricos os momentos partilhados.Que ao lado do G.’. A.’. D.’. U.’., ele faça mais histórias maravilhosas e intensas como foi sua vida aqui na terra.
Do IR.’. Mariano Britto
1 de Abril de 2008 14:07