quarta-feira, 28 de julho de 2010

GESTORA DE CULTURA PRIORIZA INSTITUCIONALIZAÇÃO DA CULTURA

Muitas pessoas têm comentado sobre "O dia da cultura" reservada na programação da festa multicultural que se inicia agora em Agosto, a tradicional festa de santa Clara. Parabéns para os organizadores da festa e pela saudável intenção.

Algumas pessoas também têm cobrado sobre a participação da Diretoria de Cultura na referida programação. Parabéns para essas pessoas pela cobrança e lembrança da existência da Diretoria de cultura.

Na realidade Tupanatinga não tem uma diretora de fato. Mas é um fato a boa vontade do Prefeito Manoel Tomé em constituir um sistema de cultura em nosso Município. Para isto o Prefeito convidou a Professora Eliane Ferro de Oliveira para a missão de organizar a parte burocrática que atenda a exigência do Ministério da Cultura.

Segundo Eliane Ferro, o foco no momento é estruturar e organizar a parte documental para que tenhamos instrumento forte de gestão de política pública de cultura e integrado ao sistema nacional de cultura, para aplicar de maneira mais convergente os recursos públicos priorizando naquelas linguagens artísticas que têm menos apóio do mercado, da iniciativa privada e principalmente daquelas excluídas do apóio do poder público que o caso do folclore e a cultura popular, etc.

Umas das iniciativas importantes já tomadas pelo Município foram a realização da primeira Conferência Municipal de Cultura e a inclusão do município no Sistema Nacional de Cultura.

Outras atividades são os fóruns regionais que têm a participação dos artistas representantes de cada linguajem que juntos repassam experiência e têm contribuído para organização destes em suas localidades. Conforme informa a gestora responsável Eliane, aqui já vem sendo estruturados alguns grupos, como samba de coco, capoeira, banda de pífano, a musica, artesanato e a pintura.

Segundo Eliane, está sendo também planejado o cadastro dos artistas locais na FUNDARPE -Fundação de arte de Pernambuco.

Com base na PEC 416, o Sistema Nacional de Cultura funcionará em regime de colaboração, de forma horizontal, aberta, descentralizada e participativa. O sistema será formado pelo Ministério da Cultura; pelo Conselho Nacional da Cultura; pelos sistemas de cultura de estados e municípios; por instituições públicas e privadas ligadas à promoção de atividades culturais; e pelos chamados subsistemas complementares, que incluem os sistemas de museus, de bibliotecas e de incentivo à cultura. (site do MinC.)

Como vimos a cultura é ampla e tem uma abrangência extraordinária, mas seu conteúdo ainda é muito limitado. Para o ex- ministro Gilberto Gil. "A cultura ainda não tem a atenção que deveria ter pelo conjunto dos brasileiros, ainda não é reconhecida como propulsora do desenvolvimento local", afirmou.

É também preocupante a falta de institucionalização da cultura na maioria dos municípios. Pois ainda predomina a cultura acoplada a outras pastas como turismo, educação e esporte. Como é ainda em nossa Cidade.

É o que se pretende priorizar então por aqui, a institucionalização da cultura.

por Edimilson

sexta-feira, 23 de julho de 2010

X Encontro Nacional de Educação Matemática em Salvador(BA): Tupanatinga também esteve lá!

professores Dilson e Zé Luiz

Há 07 (sete) anos eu entrava no ensino público como Professor concursado do município de Tupanatinga. Lembro-me do entusiasmo do primeiro emprego, curiosamente, a data de minha posse foi aos 19 de maio de 2003 (dia de meu aniversário). Naquela época a Secretaria Municipal de Educação oferecia aos professores novatos e veteranos um curso de formação continuada, ministrado pelos seus “supervisores”. Como naquele ano, estava terminando a licenciatura em Matemática, os encontros que mais gostava, claro, estavam ligados a Matemática, mas em todos daquela equipe, de qualquer que fosse a área, indistintamente, exalava o sentimento de compromisso e a vontade de acertar.


Os burburinhos sempre haviam, quem são eles? O que estão pensando? Querem me ensinar a dar aulas? Pois, bem, resolvi não dar ouvidos a esse tipo de comentários e passei a apoiá-los da melhor forma possível, aprendendo. No caso da matemática foram muitas as lições, tanto, que na minha Especialização, 03 anos mais tarde, muito do que ouvi falar nas antigas salas do casarão..., foi simplesmente confirmado pelos doutores e mestres que encontrei no curso. Muito obrigado a todos.


Porém hoje vim para falar de um cidadão Tupanatinguense que falava de umas coisas estranhas, como Mestrado, Doutorado e outras tantas, que pareciam longe de nossa realidade. Sempre nos encontrava e se punha a falar de seus sonhos. Pagou para ver! Assumiu as responsabilidades de querer fazer dos seus sonhos: realidade!

Que José Dilson é um batalhador e que tem vencido na sua carreira profissional nós já sabemos. E até devemos nos orgulhar, por que ele se orgulha de dizer de onde veio.

O fato é que, ele e tantos outros filhos de Tupanatinga, atuando em nossa terra ou nos mais longínquos rincões, representam e desempenham seu papel de forma brilhante.

No entanto, dizer é uma coisa, ver e vivenciar um pouco disso é outra completamente diferente.
Esse papo todo é para dizer que entre os dias 07 e 09 de julho estive em Salvador. Naquele período a capital baiana recebeu 4.000 pessoas no X Encontro Nacional de Educação Matemática, num esforço de toda Educação Matemática Baiana através de suas Universidades e instituições ligadas ao movimento.

Eu estava como Professor do Campus VI da Universidade Estadual da Paraíba acompanhando 38 graduandos. O evento foi um sucesso! Apresentamos diversos trabalhos, participamos de diversas mesas redondas e palestras, fomos ao centro histórico (ganhei até tranças nagô).
Bom, mas se me perguntarem qual dos momentos desse mega evento me emocionou? Responderei que foram 03 os mais especiais.

O primeiro foi a minha chegada ao evento, por tudo que me esperava naqueles três dias, isto foi consagrado com a entrada da bandeira pernambucana na solenidade de abertura.

O segundo momento, foi quando fora do evento, no pelourinho, andei pelas ruas e ladeiras imortalizadas por Jorge Amado e seus capitães da areia, ruas e ladeiras de pedra, pisadas e lavadas com sangue negro (nosso sangue).

O terceiro e ultimo foi de novo lá no evento, na solenidade de abertura, onde no discurso dos magníficos reitores das universidades baianas, o reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, ao falar dos esforços educadores matemáticos disse: “agradeço ao Professor Dilson pelos projetos e ações importantes realizadas em nossa universidade”. Naquele momento, um filme passou em minha cabeça, lembrei de cada momento vivido na rede municipal de ensino, das amizades que conquistei, das lições compartilhadas.

Foi um momento brilhante, pois aquelas poucas palavras dirigidas a Dilson, eram prova do reconhecimento ao trabalho que ele vem desempenhando naquela região, prova também que Tupanatinga, nossa terra, estava lá.


A foto que decidi publicar não poderia ser outra, prova de que estivemos lá, que tudo foi uma festa, que a alegria e o orgulho que invadiam meu íntimo, precisavam ser compartilhados com vocês. Parabéns pelos teus filhos!

Obrigado a Conexão Cultural pelo espaço cedido, e um forte abraço aos brilhantes educadores, amigos e amigas que fazem a educação de nosso município dentro e fora dele. Axé pra todos!


por Zé Luiz


Parabéns aos ilustres filhos da terrinha que sempre souberam sonhar e viver como águias...pois o mundo é vasto e próspero. A minha grande emoção é que por mais alto que a águia voe ... ela não esquece das origens... e sempre volta a terra para ajudar aos que não alcaçaram voo.

Tanto o Professor Dilson com o professor Zé Luiz, ambos quando por aqui passam, trazem muitas novidades, bons fluidos. Estão sempre bem com a vida e não guardam mágoas nem rancores... Apenas sonham um dia em vê Tupanatinga prosperar... Agradeço aos dois por elevarem o nome de Tupanatinga.

Acredito que seja de muito importância para estimular a auto- estima do povo, poder publicar as boas novas. Qualquer coisa... mandem noticias...

Conexão Cultural.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

PROGRAMAÇÃO OFICIAL DA FESTA DE TUPANATINGA

ATRAÇOES DO FESTIVAL MULTICULTURAL DE TUPANATINGA-PE
02 A 10 DE AGOSTO DE 2101


PROGRAMAÇÃO/ATRAÇÕES

D A T A

02.08 (Segunda Feira) . Batista Lima

03.08 (Terça Feira) . Apresentações Culturais

04.08 (Quarta Feira) . Edu&Maraial /Maciel Curé

05.08 (Quinta Feira) . Medalha de Ouro /. França do Arrocha

06.08 (Sexta Feira) . Vicente Nery/Vilões do Forro /. Cheiro de Menina

07.08 (Sabado) . Mauricinho do Forró Casca de Romã /. Vaqueirões do Forró

08.08 (Domingo)
. Brasas do Forró /. Banda Feras

09.08 (Segunda Feira
) . Garota Safada /. Forró do Bom

10.08 (Terça Feira) . Calcinha Preta/. Sabor de Café /. Limão com Mel

domingo, 11 de julho de 2010

FESTA DE SANTA CLARA: IGREJA PROPÕE DISSOCIAR A FESTA DAS COMEMORAÇOES RELIGIOSAS
































As festas de Padroeira são manifestações culturais de suma importância devido seu forte contexto cultural, religioso e histórico que denota toda tradição, usos e costumes, saberes e fazeres de uma comunidade.

Em nossa Cidade a padroeira é Santa Clara cujos festejos se realizam no mês de Agosto, com balões, banda de pífano e parque de diversões. Nas noites se apresentam grandes bandas de músicas, de todos os gêneros. As manifestações religiosas são compostas por missas, quermesses , novenas e procissões.

A escolha da Santa como padroeira da cidade foi feita pelos Senhores Felipe Néri e José Silva, primeiros proprietários e fundadores do município.


A Tradicional festa da padroeira Santa Clara, que também é nome da Cidade Tupanatinga (TUPANA=SANTA, TINGA=CLARA) já foi um evento exclusivamente religioso, onde as novenas, missas e adorações eram as principais atividades da festa, mas ao longo dos anos o evento foi se modificado com a mistura das comemorações sagradas e profanas. Hoje, vê-se associado a ela, uma grande festa de repercussão em toda região, onde seus atrativos são os shows de bandas, grandes variedades de barracas de bebidas, comidas, e vários outros atrativos.

As comemorações profanas da festa são realizadas logo após as celebrações religiosas.
A importância deste evento para o Município tem se caracterizado pela sua dimensão sócio- cultural.
Atualmente este evento é um dos mais tradicionais na região.

A Festa da Padroeira de Santa Clara, a popular festa de Agosto em Tupanatinga, já é uma agenda cultural na região. Dissociar este evento das comemorações religiosas não será tarefa fácil, é o que pretende o pároco da Cidade, Padre Antonio Ferreira:

” A nossa proposta com base na nota pastoral e na palavra de Deus é que a festa de rua seja dissociada da festa religiosa.”

Segundo o Pe. Antonio, esta mudança já ocorreu em outras comunidades e objetivo não é desprestigiar a festa tradicional, mas é torná-las menos apelativa e mais familiar, aproximar a família cristã que estão se distanciando das obrigações religiosas:

“A festa da nossa padroeira é uma festa cristã e não pagã. É um momento de confraternizar as famílias, de conversão, de imitar as virtudes e a vida da Nossa Padroeira. Como podemos chamar de “Festa de Santa Clara”, uma festa onde vendem bebidas alcoólicas, onde bandas que só exibem músicas apelativas ao sexo e ao amor humano, são chamadas para atrair a juventude”.
Padre Antonio Ferreira. Pároco da Cidade.

Com base nos argumentos do Pe. que é uma decisão da Igreja, faz-se necessário que as autoridades responsáveis pela organização da festa, proponham um diálogo para que a realização deste evento que já somam mais de cinco décadas em nosso município, possa continuar com participação tanto do sagrado quanto do profano sem haver a descaracterização de ambos,já que o grande objetivo deste evento seja de fato a integração da família Tupanatinguense, proporcionando entretenimento, cultura e laser a toda população.

Realizar também mudanças nas programações, incluir participação da nossa cultura local, exposições de estandes com obras de nossos artesões, bordados, artes plásticas, pinturas, transformando a festa também um pólo de oportunidades para a população como já é uma realidade em todos os eventos da região.

por Jose Edimilson

FESTA DE SANTA CLARA


“A festa, na tradição bíblica, é apresentada como sinal do Reino de Deus. Na tradição da igreja as festas estão ligadas aos mistérios da vida de Jesus, de Maria e dos santos e santas”. Por isso não podemos e não devemos admitir que as nossas festas fossem paganizadas por certas pessoas que se dizem “católicas” mais que de católicos só tem o nome e praticamente não vem à igreja.

A festa da nossa padroeira é uma festa cristã e não pagã. É um momento de confraternizar as famílias, de conversão, de imitar as virtudes e a vida da Nossa Padroeira. Como podemos chamar de “Festa de Santa Clara”, uma festa onde vendem bebidas alcoólicas, onde bandas que só exibem músicas apelativas ao sexo e ao amor humano, são chamadas para atrair a juventude.

A palavra de Deus é bem clara para nós, quando através da profecia de Amós, nos adverte: “Buscai ao Senhor e vivereis, do contrário ele mandará sobre a casa de José um fogo que a devorará, sem haver em Betel, quem o apague. Aborreço, rejeito vossas FESTAS diz o Senhor, elas me desgostam, não sinto gosto algum em vossas reuniões de culto”. Amós 5, 6.21

A nossa proposta com base na nota pastoral e na palavra de Deus é que a festa de rua seja dissociada da festa religiosa.

Em nome da verdade e do Evangelho de Cristo,
fraternalmente,

Padre Antonio Ferreira
Pároco.

domingo, 27 de junho de 2010

FOTOS DESTAQUES DO SAMBA DE COCO EM ARCOVERDE






















O SAMBA DE COCO RAIZES DE TUPANATINGA NO SÃO JOÃO DOS SERTÕES DE ARCOVERDE


O Samba de Coco Raízes de Tupanatinga, dia 22 de junho, foi umas das atrações do palco da Cultura, em Arcoverde. Com uma roupagem moderna, diversificada, mas sem perder a originalidade cultural, o grupo cantou , recitou e dançou o coco na maestria do puxador do Samba, Severino Carquejo e Mariquinha do Coco.

O grupo além das músicas e das danças tradicionais inovou com encenações teatrais para homenagear o Reisado que também já foi uma tradição na cultural popular da região.
Durante a apresentação o grupo foi fotogrado, filmado e aplaudido o que é gratificante. Sinal que o trabalho agradou.

As festividades Juninas realizadas na Cidade de Arcoverde têm importância histórica porque promove um grande encontro da diversidade cultural, resgatando valores populares da região, transformando-se em um pólo de intercambio cultura entre interior e capital. E graça a este trabalho, este pólo é reconhecido tanto no País e internacionalmente.

Valores como samba de coco Raízes de Arcoverde e o Cordel do Fogo cantado já excursionaram pelo Brasil afora a até no Exterior.

Com um caráter criativo a inclusão cultural vem contribuindo com uma grande inovação nas artes e sobretudo na cultura musical do nosso estado.

Daí a importância do nosso samba que bebe da mesma cultura apresentar também sua particularidade.

O trabalho de resgate do Samba vem sendo realizado pela Associação de Cultura e Jovens de Tupanatinga e atualmente este trabalho tem progredido graça ao apoio da Prefeitura Municipal, através do Departamento de Cultura, que aos poucos vem desempenhando seu papel.

A performance do Projeto é do Diretor de Artes Cênica Alan Shimita o qual enriqueceu valiosamente a apresentação do Grupo, ensinando técnicas e posturas para se fazer uma perfeita apresentação artística e cultural.

















O SAMBA DE COCO NO SÃO JOÃO DOS SERTÕES DE ARCOVERDE "FOTOS 1'






















domingo, 6 de junho de 2010

ESTADO DE GRAÇA




Texto de Clarice L.


Quem já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer. Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece aos que lidam com arte.
O estado de graça de que falo é usado para nada. É como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe. Neste estado, além da tranqüila felicidade que se irradia de pessoas e coisas, há uma lucidez que só chamo de leve porque na graça tudo é tão, tão leve. É uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não perguntem o quê, porque só posso responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.
E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se transforma num dom. E se sente que é um dom porque se está experimentando, numa fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente.
No estado de graça vê-se às vezes a profunda beleza, antes inatingível, de outra pessoa. Tudo, aliás, ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas. Passe-se a sentir que tudo o que existe (pessoa ou coisa) respira e exala uma espécie de finíssimo resplendor de energia. A verdade do mundo é impalpável.
Não é nem de longe o que mal imagino deva ser o estado de graça dos santos. Este estado jamais conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas o estado de graça de uma pessoa comum que de súbito se torna totalmente real porque é comum e humana e reconhecível.
As descobertas nesse estado são indizíveis e incomunicáveis. É por isso que, em estado de graça, mantenho-me sentada, quieta, silenciosa. É como uma anunciação. Não sendo porém precedida pelos anjos que, suponho, antecedem o estado de graça dos santos, é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.
Depois, lentamente, se sai. Não como se estivesse estado em transe (não há nenhum transe), sai-se devagar, com um suspiro de quem teve o mundo como este é. Também já é um suspiro de saudade. Pois tendo experimentado ganhar um corpo e uma alma e a terra, quer-se mais e mais. Inútil querer: só vem quando quer e espontaneamente.
Não sei por quê, mas acho que os animais entram com mais freqüência na graça de existir do que os humanos. Só que eles não sabem, e os humanos percebem. Os humanos têm obstáculos que não dificultam a vida dos animais, como raciocínio, lógica, compreensão. Enquanto que os animais têm a esplendidez daquilo que é direto e se dirige direto.
Deus sabe o que faz: acho que está certo o estado de graça não nos ser dado freqüentemente. Se fosse, talvez passássemos definitivamente para o outro lado da vida, que também é real mas ninguém nos entenderia jamais. Perderíamos a linguagem em comum.
Também é bom que não venha tantas vezes quanto se queria. Porque eu poderia me habituar à felicidade - esqueci de dizer que e estado de graça se é muito feliz. Habituar-se à felicidade seria um perigo. Ficaríamos mais egoístas, porque as pessoas felizes o são, menos sensíveis à dor humana, não sentiríamos a necessidade de procurar ajudar os que precisam -tudo por termos na graça a compensação e o resumo da vida.
Não, mesmo se dependesse de mim, eu não quereria ter com muita freqüência o estado de graça. Seria como cair num vício, iria me atrair como um vício, eu me tornaria contemplativa como os fumadores de ópio. E se aparecesse mais a miúdo, tenho certeza de que eu abusaria: passaria a querer viver permanentemente em graça. E isto representaria uma fuga imperdoável ao destino simplesmente humano, que é feito de luta e sofrimento e perplexidades e alegria menores.
Também é bom que o estado de graça demore pouco. Se durasse muito, bem sei, eu que conheço minhas ambições quase infantis, eu terminaria tentando entrar nos mistérios da natureza. No que eu tentasse, aliás, tenho a certeza de que a graça desapareceria. Pois ela é dádiva e, se nada exige, desvaneceria se passássemos a exigir dela uma resposta. É preciso não esquecer que o estado de graça é apenas uma pequena abertura para uma terra que é uma espécie de calmo paraíso, mas não é a entrada nele, nem dá o direito de se comer frutos de seus pomares.
Sai-se do estado de graça com o rosto liso, os olhos abertos e pensativos e, embora não se tenha sorrido, é como se o corpo todo viesse de um sorriso suave. E sai-se melhor criatura do que se entrou. Experimentou-se alguma coisa que parece redimir a condição humana, embora ao mesmo tempo fiquem acentuados os estreitos limites dessa condição. É exatamente porque depois da graça a condição humana se revela na sua pobreza implorante, aprende-se a amar mais, a perdoar mais, a esperar mais. Passa-se a ter uma espécie de confiança no sofrimento e em seus caminhos tantas vezes intoleráveis.
Há dias que são tão áridos e desérticos que eu daria anos de minha vida em troca de uns minutos de graça.