terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bacia leiteira em colapso, em Pernambuco


A mais longa estiagem dos últimos 50 anos no Nordeste reduziu em 55% a produção de leite no Agreste pernambucano, que caiu de 2,3 milhões de litros/dia para 900 mil litros/dia. 

Pecuaristas com fazendas entre os municípios de Venturosa, Itaíba, Águas Belas, Pedra e Tupanatinga, que integram o complexo da bacia leiteira, entraram em desespero para manter o gado por falta de pasto. 

A palma, principal alimento fornecedor de energia aos animais, praticamente acabou. A Adagro, órgão da Secretaria de Agricultura, ainda acredita que exista palma até dezembro, o que, na prática, representaria apenas 20% do plantio em raras propriedades. Diante disso, os mais desesperados resolveram transportar o rebanho de vacas leiteiras para o vizinho Estado de Alagoas, onde ainda há muita palma.

 O destino é a cidade de Jaramataia, a 250 km de Venturosa, maior produtora de leite do Estado. Aos que resistem em manter o plantel nas fazendas de origem as alternativas para manter o gado vão ficando escassas e caras. 

Palha de cana e a própria cana, importadas das usinas na Zona da Mata pernambucana, são opções que restam, mas de custo elevado. Uma carga de caminhão de palha custa R$ 1,2 mil, mas chorando muito é possível adquirir a um preço mais em conta.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A MINHA CIDADE TUPANATINGA


A Cidade de Tupanatinga é localizada numa região que durante muito tempo fora habitada por uma nação indígena. A partir do século 19 começa-se seu povoamento com o Sítio de propriedade do Sr. Felipe Neri, pertencente à Cidade de Buíque.  Devido a grande quantidade e qualidade de agua existente na região, os viajantes que por ali passavam iam fixando residência e no decorrer de algum tempo o Sítio tornara-se uma pequena vila.

O Sr. Felipe Neri, possivelmente descendente de escravos, grande detentor das terras cedeu uma área ideal para que a comunidade construísse uma capela. Outro senhor chamado José da Silva, foi até ao estado da Bahia e comprou uma imagem para a capela. A imagem era de Santa Clara, nome que passou a denominar a pequena vila que se formava.

Distrito criado com a denominação de Santa Clara, pelo decreto-lei estadual, nº 235, de 0912-1938, subordinado ao município de Buíque.

Em 1944, por deliberação de autoridades governamentais o jornalista historiador Mário Melo, foi designado para uma revisão nos topônimos das localidades pernambucanas, resultando, assim, a substituição do nome de Santa Clara para Tupanatinga, vocábulo indígena que significa: deusa branca. (SANTA=DEUSA=TUPANA e BRANCA=CLARA=TINGA), portanto TUPANATINGA.

Elevado à categoria do município com a denominação de Tupanatinga, pela lei estadual nº 4959, de 20-12-1963, desmembrado de Buíque e Inajá, sede no antigo distrito de Tupanatinga. Constituído do distrito sede. Instalado em 16-03-1964.


por Edimilson 

A CIDADE DE DE BUíQUE E SUA HISTÓRIA


O município de Buíque começou a ser povoado em 1752, quando ainda era conhecido por Campos de Buíque. De acordo com historiadores, o nome do local tem origem na linguagem Tupi, e significa "Lugar de Cobras". Contudo, os moradores do lugar têm outra versão para a origem do nome, e contam que os índios que habitavam essa região utilizavam uma trombeta cujo som produzido se assemelhava ao nome da cidade.

Buíque foi elevada à categoria de vila em 1854 sob a denominação de Vila Nova do Buíque, então desmembrada do território de Garanhuns, e em 1899, elevada à categoria de cidade. A cidade tem como atrativo principal o Vale do Catimbau, que cujas formações geológicas impressionam por sua beleza.


Blog Magno Martins
por Adauto Nilo 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Artigos e Debates


Carminha e a seca no Nordeste

Por Heitor Scalambrini Costa

É reconhecido não só no país a qualidade das telenovelas brasileiras que tem grande aceitação em várias partes do mundo como produto de entretenimento.

"A atual seca que atinge pouco mais de 15% do território brasileiro não é comum, é a pior no Nordeste das últimas três décadas"

A novela “Avenida Brasil”, que teve em seus últimos capítulos recorde de público (em torno de 80 milhões de pessoas), foi recentemente a grande sensação nacional. Estima-se que de cada 3 televisores ligados, 2 estavam sintonizados na novela. Nos dias que antecederam o término do folhetim o assunto da grande mídia foi a abordagem diária com relação ao destino dos personagens. O horário de exibição das 21 às 22 horas, era sagrado, e tudo parou no país. O mais importante era saber quem matou Max? O que acontecerá com Carminha? E Tufão? Obviamente este interesse maciço da população trouxe enormes benefícios financeiros para a rede de televisão que transmitiu a novela. Fala-se que ao longo dos meses de apresentação dos capítulos (março a outubro), mais de 1 bilhão de reais foram arrecadados com os anúncios feitos no horário nobre.


Novela x Seca

Mas o que tem a ver este interesse midiático pela telenovela com a seca no Nordeste brasileiro que é noticiada desde os tempos do Império, e que traz tantas desgraças aos brasileiros e brasileiras da região?

A atual seca que atinge pouco mais de 15% do território brasileiro não é comum, é a pior no Nordeste das últimas três décadas. De acordo com especialistas, é mais intensa e acontece de 30 em 30 anos, em média. Assim como a seca deste ano, outras também marcaram a história do povo nordestino. As mais famosas foram as de 1983/84, 1935 e 1887, que provocaram a morte de quase 500 mil nordestinos. Segundo números do Ministério da Integração Nacional, 525 municípios da região estão em situação de emergência, e outros 221 sofrem efeitos da estiagem e aguardam avaliação da Secretaria Nacional de Defesa Civil.

Danos Ambientais
Todavia a seca se repete ano a ano e tem causa natural. Daí não se pode combatê-la e sim conviver com ela. A carência de chuvas é típica de regiões semi-áridas, e tem se intensificado pelos danos ambientais e a total desproteção do rio São Francisco e de sua nascente, além do descontrole no uso da água na irrigação. São outras partes dessa equação desastrosa que traz tanto sofrimento e morte para as populações mais pobres.

A indústria da seca e o coronelismo ainda resistem à custa de tantas vidas perdidas. Sob novos nomes e novos programas, o que vemos é a continuação de um processo histórico com a perpetuação do sofrimento e da miséria a favor do lucro de alguns.

Pernambuco

"Pernambuco tem se destacado pelos elevados índices de crescimento econômico e pela propaganda exacerbada mostrando uma administração estadual moderna (…); esconde a incompetência e a falta de interesse e compromisso político para dar inicio ao fim do flagelo que atinge hoje 121 municípios"

Em particular, neste contexto, vejamos o caso de Pernambuco. O Estado que tem se destacado pelos elevados índices de crescimento econômico, e pela propaganda exacerbada mostrando uma administração estadual moderna, com uma gestão eficiente e diferenciada de seus governantes; esconde a incompetência e a falta de interesse e compromisso político para dar inicio ao fim do flagelo que atinge hoje 121 municípios (dos 185 existentes) que estão em situação de emergência. Segundo a assessoria de Comunicação Social da Casa Militar, existem 1.184.824 pernambucanos e pernambucanas (população total próxima a 8 milhões) afetadas pela estiagem. Dos 121 municípios atingidos, 59 são do Agreste, 56 do Sertão e 6 da Zona da Mata.

Medidas de Auxílio
As medidas tomadas pelo governo federal são as mesmas de outros anos, liberação de recursos (anunciou da liberação de 2,7 bilhões de reais pelo Ministério de Integração Nacional, que nunca chegam ao destino final), distribuição de cestas básicas, carros pipas, etc., etc.... Quanto ao governo estadual foram anunciadas medidas paliativas, populistas, verdadeiras “esmolas” comparados aos investimentos públicos e privados de mais de 50 bilhões de reais que estão sendo investidos no Complexo de Suape. Infelizmente estes anúncios oficiais são insuficientes, pois faltam medidas de caráter definitivo. São “oportunistas” e contam com o apoio de lideranças de agricultores e representantes de organizações da sociedade civil cooptados, que se calam frente à tragédia recorrente, tornando verdadeiros cúmplices do massacre destas populações invisíveis aos olhos da sociedade.

Mobilização Social
Mas o que tem haver a telenovela com a seca? Bem, ao meu ver é a mobilização social em torno de um tema que diz respeito à vida real das pessoas é que poderá apontar na direção da solução deste problema secular. Na telenovela, como visto na semana passada, houve uma incrível mobilização das pessoas, se reunindo em família, entre amigos, em bares, restaurantes para assistirem pela “telinha”, o destino dos personagens do drama fictício.
Mas porque não mobilizar para acabar em definitivo com este drama da vida real? Não somente doando alimentos, e roupas, que muitas vezes não chegam aos que necessitam, mas pressionando diretamente os governantes, os políticos. Discutindo, estimulando o debate sobre o drama da seca, nas rádios, televisões, blogs, jornais, nas entidades de classe, pelos artistas, jogadores de futebol, pelo povo. Uma certeza que existe é que para acabar definitivamente com o flagelo da seca só depende da mobilização popular

Quem tem domínio do fato, na democracia, é o povo


Os resultados das eleições municipais, concluído o segundo turno, evidenciam sólido avanço do Partido dos Trabalhadores. Apesar de alguns importantes insucessos localizados (como Salvador, Recife e Fortaleza), a agremiação atingiu vários objetivos estratégicos.

O PT sagrou-se como a legenda mais votada do primeiro turno, com 17,3 milhões de sufrágios e um crescimento de 4% sobre 2008. 

Aumentou em 15% o número de prefeituras que irá governar (634 contra 550). Deu salto de 16% para 20% no total do eleitorado sob sua gestão municipal. Acima de tudo, pelo peso político e simbólico, reconquistou o governo da cidade de São Paulo.

Apesar de aparente dispersão da hegemonia sobre o poder local, com o surgimento do PSD de Kassab e a expansão do PSB de Eduardo Campos, a pedra de toque das eleições concluídas nesse domingo foi o fortalecimento do maior partido da esquerda, em contraposição ao encolhimento de seu principal antagonista à direita, o PSDB.

Os tucanos perderam massa de votos (queda de 5,02%, de 14,5 para 13,8 milhões), além de número de prefeitos (de 787 para 704) e vereadores (de 5,9 para 5,2 mil). Foram surrados no sul e sudeste do país, que antes consideravam sua fortaleza. E foram duramente golpeados na sua principal cidadela: além de perderem a capital paulista, estão cercados pelo cinturão vermelho que se consolidou na área metropolitana de São Paulo.

Muitos analistas da imprensa tradicional estão atônitos. Tentam atropeladamente fugir às óbvias conclusões sobre o processo eleitoral. Ora ensaiam dar ênfase a uma suposta fragmentação do voto, ora dirigem olhos para uma eventual terceira via na polarização nacional, com a ascensão do PSB. Não passam de manobras diversionistas. A aposta que faziam era derrotar o PT e diminuir gravemente seu peso político. Perderam, e feio.

A estratégia antipetista repousava no julgamento do chamado “mensalão”. Estabeleceu-se acosso midiático jamais visto sobre a corte suprema, para buscar a degola de líderes históricos da sigla governista, apresentados à opinião pública, diuturnamente, como bandidos com sentença transitada em julgado pelos mais impolutos homens e mulheres da nação.

O espetáculo de exceção foi além de seu limiar processual. Os votos de vários ministros, ao vivo e em cores, constituíram-se em declarações moralmente condenatórias contra o PT e o governo Lula.

À oposição de direita e aos grandes veículos de comunicação, somou-se, no palanque das denúncias contra dirigentes petistas, a maioria do STF. O centro da disputa política, com o julgamento, trasladou-se para o tribunal, com a expectativa de sacramentar institucionalmente a existência do esquema para compra de apoio parlamentar entre 2003 e 2005. Desde as vésperas do golpe militar não se via tamanha operação de desgaste contra um partido.

O que se esperava, quando a deliberação togada chegasse às ruas, era o derretimento do PT. Na pior das hipóteses, ao menos um sensível encolhimento e a derrocada na tentativa de conquistar a maior cidade brasileira. No auge da ofensiva, não faltaram vozes que vaticinavam o ocaso da liderança de Lula. Mas as forças de direita viram ruir seus sonhos e tomaram uma tunda histórica.

Os áulicos do reacionarismo ainda não entendem o que se passou. O porquê da patuleia não dar bola para o julgamento na hora de votar. A mídia corporativa é obrigada a engolir, pela terceira vez, o fel de sua progressiva insignificância na formação de almas e mentes. Não conseguem aceitar que os pobres da cidade e do campo, secularmente condenados pela oligarquia à ignorância, ao desespero e à exclusão cultural, sejam capazes de forjar sua própria consciência de classe.

Os dez anos de governo petista, com seus altos e baixos, mudaram a vida de milhões. De dezenas de milhões. Pela primeira vez a multidão de miseráveis viu sua vida melhorar, de forma estável e duradoura. Aumentaram a renda, a oferta de trabalho, o acesso à educação e moradia, o sentimento de autoestima. Os vínculos de identidade com o partido responsável por essas mudanças, e principalmente com seu maior líder, foram se consolidando.

Os despossuídos, que antes eram majoritariamente reserva de mercado para distintos projetos políticos das elites, vão passando a ter lado, o seu próprio lado. A identificar amigos e inimigos, lógicas em conflito, a verdade dos fatos. Esse processo dolorido, mas enraizado, fabrica um escudo contra a manipulação midiática. E serviu de vacina contra o julgamento do “mensalão”.

Enormes massas de eleitores, apesar de expostos à chacina contra líderes petistas na corte suprema, não compraram gato por lebre. Não aceitaram a agenda que a direita lhes quis impor. Mesmo sensibilizados com o discurso anticorrupção, intuem sua falsidade nesse episódio, sua utilização como instrumento político-eleitoral.

De múltiplas formas, compreenderam que seria algo contrário a seus interesses, que poderia ameaçar o partido e o governo que abriram as portas para a emergência dos pobres como protagonistas do desenvolvimento.

Os conservadores estão, assim, desacorçoados com a indiferença do povaréu diante do espetáculo no qual empenharam todas as suas energias. De alguma maneira, ao menos simbolicamente, foi o julgamento do julgamento. Como disse um eleitor essa madrugada, na rede social: quem tem o domínio do fato, na democracia, é o povo.

(*) Breno Altman é jornalista, diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel.

As ilustrações sentimentalistas de Orlando Pedroso

Orlando Pedroso é artista gráfico e ilustrador, trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa.

 Foi colaborador da Folha de S. Paulo de 1985 a 2011. Ilustrou mais de 60 livros infanto-juvenis e é autor dos livros Moças Finas, Árvores e do infantil Vida Simples, e membro do conselho da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

CRÔNICA DA SEMANA com VINÍCIOS DE MORAES

Namorados públicos
Que mal existe em se beijarem os namorados em praça pública ou nos cantos de rua? Em que uma coisa dessas ofende a moral? Por que não se poderão eles abraçar ternamente, quando tiverem vontade? Pois parece incrível: outro dia um amigo meu contou que foi "apitado" várias vezes por um guarda do Jardim Botânico, por estar dando um "peguinha" na namorada. 

De fato: é justo, mais do que justo, que se moralizem os costumes. Nada mais certo. Mas perseguir os namorados, da mesma forma que arrancar as plantas dos parques, ou maltratar os animais, é indício de mau caráter. Que os namorados se beijem à vontade nesta linda Rio de Janeiro.

 Nada há de mal no beijo dos namorados, como no amor dos pássaros. Deixai-os nos seus parques, nas suas ruas escuras, nos seus portões de casa. Deixai-os namorar, Senhor Prefeito, Senhor Diretor do Jardim Botânico, deixai-os namorar, porque eles têm cada dia menos lugares onde ir esconder seus anseios. 

Deixai-os se beijarem à vontade, porque o que em seus beijos irrita os burgueses moralizantes é justamente essa liberdade, essa beleza, essa poesia, esse vôo que há num beijo de amor. Tréguas aos namorados!

 (MORAES, Vinicius de; Namorados públicos; Para viver um grande amor; São Paulo: Companhia das Letras, 2010; pg. 179)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CULTURA EM QUESTÃO


NEM TUDO É CULTURA

Paulo Irineu Barreto






A afirmação de que não é possível estabelecer juízos de valor aos assuntos referentes à cultura é cada vez mais difundida nos dias atuais. Tal afirmação, no entanto, esconde muitos preconceitos e falácias. Um dos equívocos mais graves deste tipo de afirmação é a idéia de que todo comportamento dito cultural é uma manifestação espontânea e legítima do conjunto de tradições e hábitos de uma determinada sociedade. Seria um erro negar esta afirmação por completo, como também é um erro aceitá-la na sua totalidade.

Uma sociedade pode incorporar no seu caráter (ethos) uma série de comportamentos socialmente prejudiciais e até mesmo ilícitos que poderiam, facilmente, ser confundidos com expressões legítimas. É correto, por exemplo, afirmar que o carnaval tem raízes históricas e, no caso específico do Brasil, é uma fonte muito rica de traços de nossa cultura “pluriétnica” que foram incorporados a este evento ao longo de décadas. Isto, no entanto, não transforma em manifestações culturais legítimas todos os abusos cometidos e perpetuados em nome do carnaval, como, por exemplo, o “bombardeio” feito pela mídia que massifica a festa, tornando-a quase que uma necessidade para todos. Este “bombardeio” banaliza a sexualidade, estimula o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e impossibilita a formação de um senso crítico, promovendo episódios como o ocorrido em Salvador – Bahia, no dia 29 de janeiro de 2008 (ver links abaixo), em que muitas pessoas foram pisoteadas ao tentar trocar alimentos por ingressos para os desfiles.

Que tipo de força seria capaz de convencer as pessoas a saírem de suas casas e se submeterem a uma situação dessas, se não o “ataque” que, há muito, elas sofrem daqueles que se dizem (e se sentem) representantes e detentores da cultura, os meios de comunicação de massa? E foram estes mesmos que colaboraram para que essas pessoas se tornassem incapazes de discernir sobre o que é melhor para elas. Na tentativa desesperada de obterem um pouco de prazer, encontram mais sofrimento e dor. O antídoto para este desespero é a Educação, mas esta ainda não é a prioridade maior e não conta com o mesmo marketing agressivo.

Outro exemplo é o da adaptação brasileira do reality show “Big Brother” (expressão proveniente do livro 1984, de George Orwell), apresentado pelo jornalista Pedro Bial, no qual é feita uma “glamourização” do descompromisso e do descaso. A vida de uma dúzia de pessoas “confinadas” em uma casa luxuosa transforma-se em diversão para os que estão sentados em suas poltronas nas noites “globais”. O problema do programa está tanto no seu conteúdo, pois valoriza o que há de pior: a degradação dos hábitos; quanto na sua forma, que transforma os participantes em meros meios, entre si, e para enriquecer ainda mais os cofres da Rede Globo de Televisão e dos patrocinadores, ainda que isto custe o empobrecimento intelectual dos que assistem ao programa.

Esta situação, sendo socialmente aceita, tem pretensões de ser incorporada à cultura e legitimada, o que é, no mínimo, um contra-senso! Que uma ou outra pessoa consiga reverter a sua situação particular e encontre um “lugar ao sol”, ao ser descoberto pelas câmeras, não justifica a existência do programa, pois não é um bem aquilo que beneficia o particular, em detrimento do universal. Desta forma, o Big Brother Brasil não pode ser considerado Cultura, no sentido distinto da palavra, e presta um desserviço à população, pois faz com que algo que deveria ser visto com estranheza e com ímpetos de mudança, sobretudo pelos jovens que estão formando o seu caráter, seja visto com naturalidade, passividade e auspiciosamente.

Diante de tudo isto, só nos resta uma questão: podemos considerar como manifestações legítimas de uma cultura todos estes abusos e equívocos? Eles estão no mesmo nível que a obra de Luís da Câmara Cascudo? Ou do legado de Antônio Francisco Lisboa?

Não! E nem precisava tanto, mas estão muito aquém.

domingo, 21 de outubro de 2012

DOMINGO - POESIA, PAZ E AMOR.


Big Bang do Prazer 

As dunas não têm fim
Os mares não têm fim
Os sonhos não têm fim
Tudo é sublime e grande (“as ondas são breves”)
 Tudo é grande, tudo é demais (“nos momentos que abarcamos o todo nos tornamos deuses”)
Depois nos recolhemos ao quarto limitado por paredes (“é mentira que existimos separados”)

As curvas da menina não têm fim
Os desejos da menina também não têm fim (“sonho de casar”)
Depois do gozo, da explosão o universo se forma, BIG BANG do prazer.

Expansão e recolhimento
Poesia e ausência ("a arte não tem fim")
imaginação e real ("a literatura não tem fim")
Macho e fêmea
Consciência e sono
Vida  e morte (“sem ponto final”)

As dunas...
As ondas...
Os sonhos...
As curvas da menina...
Os desejos da menina...


A arte...
A literatura...
“Tudo é grande, tudo é demais”

Edezilton Martins 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CULTURA - CARAVANA DO SESC PERNAMBUCO DESEMBARCA EM TUPANATINGA




Nesse ultimo final de semana, 13 e 14.10.2012, Tupanatinga recebeu a caravana do SESC Pernambuco o qual está realizando pela  4ª vez a Jornada Literária Portal do Sertão, sendo que a cidade de Tupanatinga esta participando pela 1ª vez. 

A caravana então desembarcou na Cidade na manhã de Sábado com poetas, escritores, atores, fotógrafos, técnicos e coordenadores de cultura prontos para dar uma virada cultural na comunidade. Foram varias ações desde as 9hs da manhã até às 24hs. Foi um final de semana nunca vivido em Tupanatinga, comentou varias pessoas que estavam presente nos eventos. 

 No inicio da manha, a criançada conheceu a escritora de livros infantis Lenice Gomes. A escritora lia historias para as crianças, acompanhada de um grupo de atores os quais encenavam os personagens dos livros e aquela manha ficara marcada na memoria de todos os presentes. Poesia recitadas e musicadas abrilhantaram a noite de sábado que a partir das 20h recebia o grupo São Saruê. Os jovens artistas interpretaram obras riquíssimas com muito talento e arte nunca vista antes naquela noite na praça Cel. José Emílio de Melo, de frente a Matriz de Santa Clara. A Presença dos Poetas Chico Pedrosa e Antônio Marinho, fazendo recitais e contando casos e causo foi divertido.

 Professores participaram de oficinas ministradas pela escritora e pedagoga, Carminha Bandeira. enquanto as crianças se divertiam e aprendiam com a Carroça do Encantado e com o Circo dos astros, peça teatral infantil apresentada no Cine clube Deusa Branca. O Encerramento deu-se no bairro FUNDEC com a carroça do encantado com a presença da Escritora Lenice Gomes.
Carroça do Encantado se apresenta em Tupanatinga

A cidade de Tupanatinga recebeu dia 13, às 9h, a apresentação da Carroça do Encantado, na Praça Coronel José Emílio de Melo. A Carroça é um carro de boi adaptado em uma biblioteca itinerante, onde uma trupe de sete artistas utilizam linguagens como contação de histórias, leituras dramatizadas e teatros de bonecas para dar vida aos personagens, convidando o público a participar e interagir.


A utilização dos elementos lúdicos, como os efeitos sonoros e as músicas, estimulam a compreensão do texto literário na obra de Lenice Gomes, transformando o ato de leitura em um momento de prazer e levando cultura a toda a população.

Amanhã de sábado de frente a Igreja Matriz, foi toada pelas crianças as quais divertiram-se e aprenderam bastante.  

Professores de Tupanatinga participam da oficina de sensibilização para leitura com a escritora e pedagoga Carminha Bandeira.



PARADA PARA LEITURA NA ESCOLA  JOSE EMILÍO DE MELO COM AS ESCRITORAS LENICE GOMES E MARIANE BÍGIO.
A tarde de Sábado na escola estadual Jose Emílio de Melo, foi marcada por encontros nunca visto antes, tendo em vista a dimensão e importância da leitura na vida das criânças. Alunos lendo livros juntos com a própria escritora. Lenice Gomes escritoras de obras da literatura infantil e Mariane Bígio, jovem poetisa da literatura de cordel, fizeram daquela tarde um momento único que marcará com certeza a vida dos que se fizeram presentes.

A Praça Cel José Emílio de Melo viveu   uma noite  de  musica  e   poesia.
Sábado, 13.10 .2012, a partir das 20hs, na praça cel. Jose Emilio defronte a Igreja matriz, a apresentação do Grupo São Sarauê, foi um encontro com a poesia recitada e musicada, dramatizada e sobretudo uma apresentação divina que humanizou os corações de muita gente que por privilegio e merecimento estavam ali assistindo a este belo espetáculo.

Jovens talentosos que emocionaram  e se emocionaram como se fosse milagre da própria arte que encanta, emociona, transcende e transporta.

 A segunda atração extravasou. O encontro dos poetas recitadores e de gerações, Antonio Marinho e Chico Pedrosa foi sem dúvida motivo de grande entusiamo. A plateia se divertia  a cada apresentação.


 O nosso público, graça a cultura, está tendo oportunidades de conhecer  algo mais e a partir de então, repensar valores e criar novos hábitos.

 A apresentação  dos  valores da terra, como Liliane Feitosa, recitando poema ao lado do autor do poema, Chico Pedrosa, foi  um momento grandioso. A poeta revelação Juliana,  lendo seu próprio poema também foi  gratificante nesta noite de encontro e de poesia.  Um encontro de poetas, músicos, escritores, técnicos,   articuladores e uma plateia que embora carente de arte  soube reverenciar  o artista com aplausos e atenção merecida.

O Encerramento ficou por conta da casa com apresentação do Samba de Coco Raízes de Tupanatinga.

Domingo, 14.10. O Cine clube  Deusa Branca abre espaço para a arte cênica.



Duas ações foram realizadas no Cine Clube Deusa: 10 h - Luiz Gonzaga em 3 tons - Recital poético interpretou canções do Cantor, como Luiz respeita Januário , Karolina com " K ", Asa Branca e outras mais. 


15 h - O Circo dos Astros da obra de Janice Japiassu - Um dos momentos marcantes desta Jornada Literária foi  essa encenação teatral que enriqueceu mais uma vez o conteúdo cultural  do publico presente, principalmente as crianças 

A Carroça do Encantado chama atenção da criançada do Bairro do FUNDEC
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