sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

FELICIDADE

Por Edezilton Martins
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Em entrevista a TV cultura no final de ano o sociólogo da PUC-SP, Edson Passetti, cravou esta definição de felicidade: "Ser feliz é incomodar, buscar, conquistar ou experimentar algo fora do padrão".
No blog da TV culura o internauta Jorge Schoeder escreveu este adendo: "o pensamento do sociólogo é um contraponto ao marasmo de idéias e a homogeneidade atual de opiniões (em parte causada pelas mídias). O sociólogo instiga ao incômodo; evidentemente um incômodo procedente, não superficial ou gratuito, um incômodo causado pelo aprofundamento do conhecimento".
Outro internauta Andre Vargas fez adendo noutro modo: "Felicidade também pode ser a coragem de anarquizar valores conservadores. É descobrir assim como o personagem GOETZ do livro "O DIABO E O BOM DEUS" de Sartre que o potencial para fazer o bem e o mal pertence ao homem e não a Deus e ao Diabo, sendo a felicidade algo que depende de si próprio e não de forças externas".

Vamos lá! Refletindo sobre as idéias e adendos acima escrevo eu que "ser feliz é ter a coragem e ousadia de experimentar fora do padrão e ser grande". Grande como na poesia de Fernando Pessoa a seguir":

"Para Ser grande, sê inteiro; Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Entretanto se faz mister uma visualização de padrão:

Hoje é padrão: ser corrupto, mesquinho, explorador, analfabeto social, egoista, etc. Por conseguinte um dos modos de experimentar fora do padrão é ter CARÁTER. Noutro momento o padrão era ter caráter; hoje caráter é exceção.
Todavia experimentar fora do padrão é mais extenso: um dos tantos modos significa fazer uma leitura muito exata da mesquinharia a que as pessoas estão inseridas, sem se darem conta; e viver, agir e pensar de outro modo. Isto é experimentar fora do padrão; consequentemente ser feliz. Há que se experimentar fora do padrão , sobretudo, quando o assunto é religião e a relação homem-Deus.

Do contrário vai se vivendo, até que no fim da vida , como o personagem principal do livro São Bernardo de Graciliano Ramos, descobre-se (quando se descobre...) que a vida foi um nada; que se viveu para si próprio. De resto, a literatura brasileira está repleta de exemplos convencionais de padrão, basta ler Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire.

3 comentários:

EDMILSON disse...
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José Edimilson de Oliveira disse...

Parabéns pela matéria que já é um valioso comentário. O tema, a princípio, parece ser de fácil argumentação, todavia não é. Tem o princípio de que a felicidade tem haver com nosso caráter ("a formação da felicidade é mais humanitária que intelectual").
Quando os valores educacionais, culturais, éticos e imatériais forem mais presentes, os momentos de felicidade serão mais consistentes.

gizeli disse...

"FELICIDADE"

São tantas definições...cada pessoa tem sua opinião sobre felicidade, não poderia ser diferente.
Ao meu ver, ser feliz é reconhecer suas limitações, descobrir suas capacidades, viver em paz consigo mesmo, amar-se... só assim, encontrará a verdadeira felicidade, a que vem de dentro de você. Desta forma, estando em harmonia, tudo que estiver a sua volta será motivo de felicidade, pois a mesma já habita seu ser.