domingo, 25 de janeiro de 2009

O Povo Brasilero e a Ditadura Militar, Parte II

Por Edezilton Martins
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As mazelas de que, nós brasileiros, somos vítimas não decorrem somente dos efeitos da ditadura militar, embora a ditadura tenha acelerado este processo. Somos vítimas dos aspectos malévolos do pós-mordernismo e do capitalismo.
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A justificativa para deflagração do golpe foi o flertes do presidente Jango com o socialismo. Não fazendo apologia ao socialismo, este teria agregado outros valores ao Brasil, e não teríamos copiado tanto a sociedade norte-americana. Seríamos diferentes em certos aspectos.
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É verdade que a ditadura eliminou nossas cabeças pensantes com tortura e morte. Todavia o Brasil, hoje, tem muitas cabeças pensantes. Estes não estão nas salas de aulas. Há, entretanto, diferenças: as cabeças pensantes são, hoje, geralmente individualistas. O homem moderno e capitalista é individualista.
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A ditadura militar acelerou o processo de construção do brasileiro moderno. Mais recentemente, o processo democrático e a liberdade de imprensa ao escancararem a corrupção mostraram ao homem brasileiro quanto ele é impotente. O monstro na ditadura era o estado, agora é a corrupção. Esta sensação de incapacidade remete-nos ao individualismo, ao não idealismo.
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O homem moderno e o brasileiro se sentem incapazes, a juventude não ver perspectiva, as escolas não os ensina a pensar.
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Uma sociedade como somos hoje os brasileiros: sem sonhos e perspectiva, sem valores fundamentais, etc. é uma sociedade esclerosada.
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Encontramo-nos numa encruzilhada. A justiça, a democracia, a liberdade de expressão, e o desenvolvimento econômico vão aos poucos mostrando o caminho a seguir. Todavia, o caminho completo somente poderá ser mostrado pela educação. A educação brasileira não se apresenta para cumprir seu papel na história. Nossos professores não estão preparados para ensinar a pensar.
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Entramos, em massa, em contato com a filosofia da índia através da novela das oito da Rede Globo. Parece-nos absurda a divisão de castas indiana. Nós brasileiros, os norte-americanos e outras sociedades temos nossas divisões em castas: brancos e pretos, ricos e pobres, judeus e arianos, masculino e feminino, etc. “Chego a ter um pouquinho de inveja dos indianos quando percebo a sua noção de respeito ao outro, não obstante, sua divisão em castas seja um desrespeito incomensurável”.
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As escolas, a mídia, os governos, o povo brasileiro precisam passar por um processo de antropofagia, de deglutição desta cultura norte-americana e modelos de modernidade com fito de eliminar aquilo que não se adapta a nossa idiossincrasia. Precisamos deglutir nossas crenças. Precisamos deglutir inclusive a nossa história, porque há muita mentira nesta. O bispo Sardinha talvez não tenha sido comido vivo pelos índios. Havia interesse do governador de eliminá-lo.
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“A educação tem o poder de fazer a única revolução possível. Por conseguinte, o poder de desconstruir e fazer a história; desconstruir e construir o novo homem, o novo Brasil. Educação não é brincadeira de menino pequeno”.
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Afora a ditadura da mídia que impera hoje, o monstro da corrupção, a não apresentação da educação, o outro grande mal brasileiro é a desigualdade: “Justiça, desenvolvimento econômico e educação nos tornam iguais”.
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“A vida não tem mais que duas portas: uma de entrar, pelo nascimento; outra de sair, pela morte. Em tão breve trajeto cada um há de acabar a sua tarefa. Com que elementos? Com os que herdou, e os que cria. Aqueles são a parte da natureza. Estes, a do trabalho (educação). Se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação (trabalho)” Rui Barbosa.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Festas em Tupanatinga - parte I

Merece destaque as festas de final de ano feitas pelas escolas Jose Emilio de Melo, e a Municipal Manoel Borba para celebraram as conclusões e formaturas dos seus alunos.
Dia 20 de dezembro foi realizada no Ginásio Municipal a conclusão dos alunos das oitavas séries da Escola Manoel Borba. Um evento requintado de beleza e criatividade. A festa teve inicio com a entrega dos diplomas aos concluintes 2008. Em seguida as autoridades educacionais proferiram seus discursos em prol da importância da formação educacional do jovem e congratularam o corpo docente da referida escola.
O evento continuou com um baile animado com "a banda e orquestra NOSTALGIA", com vários ritmos, desde o forró aos embalos das músicas da Jovem Guarda.
A Orquestra, que é uma das melhores bandas do gênero na região, não foi suficiente para atrair os familiares como é a tradição dos bailes dos concluintes em outras épocas. Esperamos que os organizadores destes eventos( escolas municipais e estadual) procurem nos próximos eventos atraírem as famílias.
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Este artigo terá sequência com a descrição do Carnaval, que junto com as festividades do mês de agosto, constituem as duas maiores festas da cidade.
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Povo Brasileiro e a Ditadura Militar

Por Edezilton Martins e J. Edimilson
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Os homens sofremos a falta de conhecimento necessário para entender e compreender a realidade e a nós mesmos, o que resulta numa vida fútil, momentânea, sem passado e sem futuro.
Nosso comportamento é movido pela mídia. Não suportamos conviver com o silêncio. O silêncio nos mantém em contato com nós mesmos; e dentro de nós não há nada. A televisão sabendo disso (os canais sensacionalistas) usa locutores e apresentadores que falam sem parar, em tom acelerado, para não darem tempo para os telespectadores respirarem. Porque respirar é mergulhar no vazio de si mesmo. Observe o programa do Faustão da rede Globo.
A mídia, a propaganda, os governos, as empresas utilizam este vazio existencial humano como modo de manipulação. Tudo em função do comércio, do lucro. Afinal o homem sem conteúdo necessitará consumir continuamente para se satisfazer. O homem sem conteúdo elegerá maus políticos, e ainda os transformará em seus heróis. Esta subjeção ao sistema midiático se inicia com o homem já desde a tenra idade. Os pais transmitem para os filhos o mesmo vazio de que são vítimas; o mesmo consumismo besta. No lugar de ensinarem as crianças a serem, ensinam-lhes a terem. Fazem com que as crianças entendam que felicidade é sinônimo de consumo e não de valores, entendimento e conteúdo.
Aí vem a reflexão! A quem isto interessa? Onde nossa sociedade espera chegar com este despreparo?... Até quando a sociedade e a natureza suportarão esta vida consumista, desregrada e agressiva? ...
O homem precisa aprender a pensar como Sócrates, Platão e Aristóteles. As escolas e os pais deveriam proporcionar esta condição. Aí teríamos alunos críticos, com conteúdo, mais comportados. Obedientes, todavia não submissos. Esta ausência de valores percebida na juventude é conseqüência do vazio existencial humano. Há também a ausência de percepção das oportunidades por parte da juventude.
Tratando-se de Brasil, façamos um corte na linha do tempo para enxergarmos onde o brasileiro se perdeu na banalidade: o golpe militar de 64 proporcionou a ruptura entre o brasileiro engajado com as mudanças, o sonho de construção de um mundo de oportunidades, e o brasileiro alienado, fútil. A ditadura que matou, torturou e exilou as cabeças livres e inteligentes de nosso pais dilacerou o que de melhor tínhamos: homens que pensavam, que transmitiam valores e sonhos.
A censura institucionaliza da ditadura militar passou a censurar na imprensa, na arte, na escola e na cultura tudo aquilo que pudesse fazer o homem pensar. Pensar passou a ser proibido. A ditadura e a censura criaram uma mídia fútil, manipuladora, a serviço do sistema e do comércio.
Somos uma sociedade perdida. O bandido é o novo herói. O sensacionalismo é o que emociona o telespectador. A música que nossos jovens ouvem é um barulhão sem conteúdo, fútil, sem conteúdo crítico como na musica de um Chico Buarque, sem intervalos entre as notas para respirar como numa bossa nova. Os pais e os professores não têm conteúdo e condições para reverter o status da banalidade, do vazio existencial.
O golpe de 64 deixou-nos órfãos da educação e da cultura. Por conseguinte de valores, de capacidade crítica. Levou-nos ao abismo de nós mesmos. Transformou-nos em patéticos objetos de consumo.
Como os homens as instituições também se alienaram. Também se tornaram produtos de venda fácil. Prostituiram-se.
A luta contra os efeitos da ditadura militar continua: como mudar este retrato? Como romper com esta ditadura midiática? Como nos tornamos indivíduos críticos? Como transformarmos o sistema educacional? Como recuperarmos as cabeças pensantes que a ditadura militar dilacerou? Como recuperarmos os valores? Como voltar a sonhar? Como voltarmos a ser idealistas e revolucionários?... Chico Buarque cantou que “mesmo calada a boca resta a cuca, silêncio na cidade não se escuta...”. Mesmo calada a boca resta a escrita, a história, a literatura. É proibido se calar e aquietar. Sobretudo, é preciso fazer diferente.
Até a pouco tempo se creditava a pobreza brasileira ao fato do país ser subdesenvolvido. Mas agora o Brasil é a nona economia do mundo. A nossa maior miséria não é a econômica, nossa maior miséria é a ausência de valores, de conteúdo, de pensamento crítico; a miséria do nosso sistema de educação. Somos miseráveis porque somos ignorantes de nós mesmos (vazios de valores, sonhos e ideais).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A VERDADEIRA IGREJA

“Procuro uma igreja onde o centro da vida litúrgica e espiritual seja Jesus e sua mensagem de libertação e esperança.

Procuro uma igreja que anuncie o Evangelho libertador de Jesus, e não as idéias dos seus pregadores oficiais(idéias sempre próximas dos interesses materiais e das ideologias).

Procuro uma igreja onde se possa orar conforme o ensinamento de Jesus; no silencio interior onde se escuta a voz de Deus; Uma igreja onde as celebrações litúrgicas se assemelhem a suaves canções a penetrar nos recônditos da alma.(A igreja do barulho dos trios elétricos e das palmas mecânicas é igreja espetáculo, jamais cenário de oração fecunda e lugar de encontro espiritual dos homens com o seu Deus).

Procuro uma igreja solidária e fraterna, onde todos possam se sentir parte de uma mesma família e a santidade seja atribuída apenas a Jesus, ele sim, caminho, verdade e vida.

Procuro uma igreja onde seus dirigentes não a gerenciem como uma empresa de artigos ou um supermercado da fé. Uma igreja solidário aos homens em seu trajeto histórico permeado de fracassos, erros e sólida, mas um caminhar também assinalado pelos momentos de soerguimento, refazimento da esperança e reafirmação da vida

Procuro uma igreja onde os pecadores sejam acolhidos como irmãos e participes da aventura comum da humanidade, e não sejam julgados segundo os critérios morais e o humor dos lideres religiosos e seus dedos em riste.


Procuro uma igreja que seja servidora dos homens, combatente ao lado dos pobres, animadora das utopias humanas por um mundo de fraternidade universal.

Oxalá exista uma semelhante igreja! Certamente sabe-se seu lugar: o coração dos homens de boa vontade.



Fragmentos de um manuscrito encontrado recentemente numa casa abandonada. Autor desconhecido. (Jornal de Arcoverde – Outubro / 2008)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tudo é Possível

Por Edezilton Martins


Trechos do discurso Martin Luther King:

I have dream (eu tenho um sonho).

Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
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Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.


Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
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Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar.
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Link para leitura do discurso de Luther King na íntegra:
http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/discursoking.htm


O discurso memorável de Martin Luther King foi proferido em 28/08/63, motivado pela prisão de Rosa Park que se recusou a ceder lugar no assento de um ônibus para um branco como determinava a lei. Nesta época em alguns estados americanos o racismo era institucional.

Hoje (04/Nov/08, 45 anos depois) foi eleito presidente dos EUA um negro, Barack Obama.



Abaixo trechos do discurso de vitória de Obama:

Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.

Somos, e sempre seremos, os EUA da América.

É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.

Não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Esta é a vitória de vocês.

Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.

Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.

Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.

Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.

O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.

Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.

Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.

E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.

A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.

E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.

Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.

Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.

Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.

Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.

Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.

O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.

E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.

Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.

Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos temos esperança.

E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.

Obrigado. Que Deus os abençoe! E que Deus abençoe os EUA da América!
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Link para leitura do discurso de Obama na íntegra:
http://jn.sapo.pt/Dossies/dossie.aspx?content_id=1039790&dossier=Elei%E7%F5es%20nos%20EUA


Há muitas semelhanças entre os dois discursos. Difícil não enxergar no discurso de Obama uma continuidade ao discurso de Luther King. Há neles o sonho de igualdade, liberdade e realização do sonho americano.

Obama não faz "o discurso da raça" porque para ele não existe raça. Os EUA entenderam sua mensagem.

Um negro na presidência dos EUA é histórico pelo valor simbólico que representa: a mensagem que transmitirá a todo o mundo, o combate ao preconceito. Um presidente dos EUA negro ,exposto na mídia, representa grande poder de transformar o pensamento estabelecido, os paradigmas.
A expressão "presidente negro dos EUA" não é apropriada. Obama se apresenta como surpa-racial.

Os eleitores votaram por consciência política sem levar em conta a questão da raça. Isto em um país cujo passado bem recente é de confronto entre raças.
Há semelhanças entre a eleição de Obama e a de Lula: ambas são marcadas pela superação do preconceito.

Os EUA mostraram maturidade, superação e racionalismo. O que não quer dizer que não exista racismo no país.

Luther King disse: “I Have dream” (eu tenho um sonho). Obama disse: “podemos”: É como dizer que Luther King sonhou e Obama iniciará mais um período de realização deste sonho. Obama fará isto explodindo o conceito de raça.

Para toda a humanidade é a prova da evolução do pensamento humano. Podemos sonhar com tempos melhores no futuro da humanidade. Podemos visualizar o tempo em que o sonho de Luther King será realidade.

Todavia as mudanças não se farão em passe de mágica. O processo será lento. Contiuará havendo muito racismo nos EUA e no mundo, ainda por muito tempo. Mesmo as mudanças políticas, econômicas e filosóficas.

Uma grande mudança, imediata, será a forma dos EUA tratarem as guerras e os conflitos mundiais, um EUA menos arrogante e prepotente, já que este tema gerou muitos votos para Obama.

O discurso e vitória de Obama deixam uma mensagem de muito poder: "a idéia de que tudo é possível". Isto vale para todo o mundo, sobretudo para o oriente médio devido a ênfase dada a explosão do conceito de raça, uma vez que o oriente médio precisa explodir o conceito de religião.

A mudança conceitual pode se tornar a maior mudança proposta por Obama. Esta é a mais nobre mudança.

Preconceitos como raça, gênero, religião,etc se combatem com educação crítica de qualidade.

I too have dream (eu também tenho um sonho). Eu tenho um sonho de que um dia todos os homens sejam cultos. E assim, livres e iguais.

sábado, 1 de novembro de 2008

Mariquinha do Coco, cultura viva de Tupanatinga.


A Rainha do Sambo de Coco tem seus 50 anos. Com uma pensão cria filhos e netos.
Uma vida fora do recinto escolar, mas com uma bagagem de sonhos, enraizada nos berços da cultura popular(danças e músicas folclóricas).
Estamos falando de Dona Mariquinha, que sempre alegre e contagiante ,diz ter a cultura popular nas veias. Conhecida como um alma viva da cultura do samba de coco em Tupanatinga ela ainda surpreende com outras manifestações culturais: Reisado, São Gonçalo e o Toré( a dança dos Índios).

Marinquinha nunca desiste. Devido a sua coragem e perseverança este movimento (samba de coco), mesmo empoeirado com o cansaço do tempo, continua vivo.

Defender sua cultura é a sua missão de todos os dias. Para ela o samba de coco é mais que um movimento. É sua própria identidade. Gosta da arte e o seu sonho é ensinar aos mais jovens para que esta cultura ultrapasse geração.

A Rainha do Coco é um espetáculo à parte: diferencia-se pela alegria e energia com que se apresenta, defende a atividade do grupo de coco de Tupanatinga e contagia pessoas.






sábado, 25 de outubro de 2008

Valéria Fagundes – A Flor de Cáctus do Sertão, cidade de Manari.









Manari, cidade que em 2002, ficou conhecida por causa do IDH mais baixo do País, fronteira do sertão de Pernambuco, divisa com o estado de Alagoas.
Cenário rústico com um sol causticante, sede e seca... analfabetismo e pobreza rodeados de desprezo político e social. Fatores que impossibilitam o desenvolvimento social e econômico, mas não o suficiente para destoar o talento e arte da menina Valéria, que imune, salvou-se para contar e registrar a história em forma de poesia, crônica e experiência de vida.

Protagonista do documentário “PRO DIA NASCER FELIZ” de João Jardim, que retrata os problemas educacionais vividos por professores e alunos, do Norte ao Sul do Pais, Valéria mostrou ao Brasil seu talento apesar da miséria: o brasileiro só precisa de oportunidades, de atenção e auto-estima.

Em Manari, após a constatação de que a cidade estava com o mais baixo IDH do País, várias medidas governamentais foram tomadas para tentar resolver os problemas sérios de analfabetismo, pobreza e desnutrição. Paralelo às medidas políticas, econômicas e sociais, foi feito o documentário supra citado, filmado na própria cidade que desencadeou noticiários e muitos investimentos em infra-estrutura, educação e saúde.


No meio deste deserto de prosperidade, surge então uma flor em meio aos espinhos, exuberante, propagando perfume de esperança, arte e vida para sua comunidade e o resto do mundo.

Apresentamos Valéria Fagundes em versos e crônicas:










Ainda me emociono quando recordo a escola
Por Valéria Fagundes

Eu sempre vivi de certa forma num universo à parte, numa realidade árdua e por vezes até paradoxal. Mas tenho sobretudo orgulho e demasiado carinho pelo sertão e principalmente pelos seres humanos que ali sobrevivem.

Tenho uma história de vida norteada por desafios e luta constante em favor de uma sociedade mais igualitária. Ainda me emociono quando recordo a escola onde estudei, quando lembro do tempo em que era possível correr, brincar, andar pelas ruas descalça.
Não era proibido vestir a liberdade e nem despir os anseios que se tinha no peito.

Só uma coisa ao certo me entristecia: minha escola não tinha uma estrutura física adequada, havia poucas salas, os professores não tinham muito recurso didático para trabalhar. E mesmo assim alguns conseguiam transmitir o que estava proposto.

Todos os alunos, de dentro das suas salas, podiam ver toda movimentação da rua, a escola era cercada apenas com arame farpado, na hora do intervalo jogávamos bola e comprávamos pirulito numa senhora gorda e mal humorada, os professores faziam piqueniques num único campo de futebol da cidade.

Nesse mesmo período, o Pnud - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - apontou Manari como a cidade de menor IDH ( Índice de Desenvolvimento Humano) do país.

A educação é por ventura um dos fatores que acarretam esse resultado vergonhoso. Manari também aparece no documentário "Pro Dia Nascer Feliz" , de João Jardim. Eu, por acaso, também tenho uma pequena participação neste documentário e evidencio, apesar de tudo, a esperança de um mundo mais justo.
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Minha vida tomou um outro rumo depois da participação neste filme, vejo como as pessoas ficam tomadas pela perplexidade quando o assistem, a angústia torna-se algo gritante.
Enquanto crianças e jovens continuam sem a educação, nossos representantes permanecem em seus castelos, cumprindo apenas as etiquetas da corte.
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Hoje tenho 19 anos e estou morando em Recife, trabalho num centro de ensino experimental, numa biblioteca e num espaço de mídia e educação.
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O que me deixa mais feliz é saber que graças ao filme a escola de Manari foi reconstruída. Sei que ainda há muito o que se fazer para mudar esse quadro educacional do país, sei também que a luta não vai ser fácil, mas estou disposta a tirar a educação desse casulo e fazer que ela chegue a todo o povo.
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Às vezes me bate uma saudade do sertão, um desejo de sair pelas ruas e cumprimentar as pessoas, de voltar à escola, rever minha família, meus amigos e professores. Mas lembro-me que é também por eles que estou aqui.

No filme de João Jardim, Valéria diz que seus colegas a acham diferente porque gosta de ler. No inesquecível final, declama um poema feito à maneira da Canção do Exílio de Gonçalves Dias.

Minha terra
Valéria Fagundes

Minha terra por ventura
merece tal descrição
lá a vida é menos dura
qualquer um lhe estende a mão.
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O céu é menos cinzento
lá não tem poluição
só existe um argumento
que me parte o coração.
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Ver o povo madrugar
e seguir para o roçado
mas se a chuva não chegar
perde-se o que foi plantado.
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Eu agora exilada
só me resta descrever
aqui não encontro nada
que me motive a viver.
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Mas falar da minha terra
ah, isso me dá prazer
E mesmo aqui tão distante
tenho algo a pedir.
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Quero agora, neste instante
voltar para Manari
pois eu não quero morrer
sem de lá me despedir.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Poesia de Edezilton Martins

Frida Kahlo

O tempo! Que mistério há no tempo?...
Uma roda que gira.
A terra, que gira, cria o pensamento.

Parem o tempo para eu pensar, por favor!
Um intervalo no tempo para eu estar.
Parem o tempo que quero amar.

Parem o tempo para os poetas passarem,
As moças casarem,
As crianças sonharem com um país melhor.

Parem o tempo para a polícia prender o senador,
Para Raul Seixas cantar.
Para minha namorada me beijar.

Parem o tempo, por favor!
Para eu apreender a beleza e sentir desejo.
Prolongar o prazer ("apreender a vida").

Parem o tempo!
Guimarães Rosa e Clarice Lispector querem falar.
Frida Kahlo quer pintar.
Parem o tempo para quem não viu Zico jogar.
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Parem o tempo... Por todos os poetas, parem o tempo!

domingo, 19 de outubro de 2008

Poesia com Micheliny Verunschk




Vamos conhecer a escritora poetisa, Micheliny Verunschk, que residiu em nossa Cidade (Tupanatinga), na década de 80 a 90.
Filha do Sr. Aluízio, sargento do município, e da Sra. Mércia, professora da Escola José Emílio de Melo. Nessa época, já participava de concurso de poesia e de um pequeno grupo de teatro existente na escola. Antes do retorno da família à cidade de Arcoverde.
Escritora de Arcoverde, Sertão de Pernambuco, formada em História. Consagrada como uma jovem escritora poetisa: tem livros editados e expostos em importantes livrarias do país (livraria cultura), e foi comentada nas colunas de um dos importantes Jornais de São Paulo (Folha de São Paulo).
Tem textos publicados em sites na internet, como o Jornal de Poesia e Le Mangue, nas revistas Cult e Poesia Sempre.
Despertou a atenção do poeta e professor de literatura, Frederico Barbosa. Foi a única voz da nova geração pernambucana a estar na antologia de 46 poetas que Frederico Barbosa organizou com Cláudio Daniel.

Entrevista para o Jornal Diário de Pernambuco:

DP - Cecília Meirelles, em poema famoso, diz que canta porque o instante existe. E você, por que escreve?
Verunschk - Escrevo porque é o melhor de tudo que posso fazer. Literalmente, eu não viveria sem escrever.
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DP - Para que poesia em tempo de crise?
Verunschk - A poesia oferece respostas para muitas angústias do ser humano, engendrando outros questionamentos. Algo paradoxal, próximo da filosofia, mas acredito que muito maior que ela.
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DP - Nos últimos anos, tem aparecido muitas antologias de poesia. Agora você é incluída numa delas, e justo numa que glorifica a chamada poesia de invenção. Que tipo de invenção faz a sua poesia?
Verunschk - Acredito que a imagem é a grande força da minha poesia. Gosto de subverter as imagens, dar-lhes outros significados. É algo como criar o seu próprio dicionário.
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DP - Fala-se muito em poesia feminina. Acredita no gênero?
Verunschk - Não, embora ache que há muito poeta por aí que faz gênero e insista em lugares comuns para enquadrar a poesia. É muito chato esse negócio de poesia feminina, poesia engajada, etc. A poesia é muito maior que esses rótulos.
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DP - Quais os poetas de que mais gosta? Que influência eles exercem sobre você?
Verunschk - Gosto de João Cabral, Carlos Drummond, Ezra Pound, Geraldino Brasil, Orides Fontella, citando aqui só os mortos. Acho que a maior influência que exercem sobre mim é a respeito do rigor na criação. Como leitora sinto na pele e na alma a seriedade e honestidade na feitura de cada poema desses mestres. Logo eu que lido com a poesia não posso exigir de mim menos rigor. O resultado é que nem sempre chego aos pés do que quero ou exijo de mim.
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DP - Acredita na inspiração?
Verunschk - Acredito na elaboração. Um poema pode estar se gestando há anos, e um dia ele chega até o papel como se fosse de uma tacada só. Aí muitos dirão que é inspiração, mas, que nada, ele já estava sendo feito há muito tempo.
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DP - João Cabral matou o lirismo, os concretistas sepultaram o verso. A sua poesia continua a cultivar os dois. De que espécie de lirismo é o seu, o da libertação a que se referiu Manuel Bandeira?
Verunschk - Talvez seja mesmo o da libertação. Quero a liberdade de escrever o que quiser na forma que quiser. Toda receita exige a criatividade do chef, seu tempero.
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DP - Poesia é jogo de paciência ou de palavra cruzada?
Verunschk - Poesia é cubo mágico. Lembra daqueles cubos que você fica armando até que as cores todas se encontrem em todas as faces?... Pois é, poesia é isso para mim, e o grande barato é que nem sempre dá pra montar e vencer o cubo. Acho que há um certo misticismo nisso, que alguns podem chamar de engenharia.
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DP - Que influência exerce no seu trabalho de poesia a música popular brasileira? E o rap e o rock?
Verunschk - Acho que antigamente a MPB exercia uma influência mínima na minha poesia, hoje não exerce influência nenhuma. Em geral, é muito ruim o que se produz em MPB no Brasil. É interessante você me perguntar também sobre rap e rock, pois só agora é que tenho me aproximado desses ritmos, conheci Nirvana com um atraso de dez anos. Estou gostando muito dessa incursão, mas não saberia dizer se exercem ou exercerão alguma influência.


"Escrever é tudo que posso fazer".

Do livro "Geografia Íntima do Deserto"


A PRESENÇA DOLOROSA DO DESERTO

Teu nome é meu deserto e posso
senti-lo incrustado no meu próprio território
como uma pérola ou um gesto no vazio
como o amargo azul e tudo quanto há de ilusório.

Teu nome é meu deserto, e ele é tão vasto
seus dentes tão agudos, seus sois raivosos
e suas letras (setas de ouro e pratanos meus lábios)
são o meu terço de mistérios dolorosos.


DA ROTINA

Varrer o dia de ontém
que ainda resta pela sala,
o dia que persiste,
quase invisível,
pelo chão, nos objetos,
sobre os móveis da sala.

Varrer amanhã, o pó de hoje.
Varrer.
Varrer hoje.

(E domingo quebrar nos dentes
o copo e sua água de vidro).


O CORPO AMOROSO DO DESERTO

Teu corpo branco e morno
(que eu deveria dizer sereno)
é para mim suave e doloroso
como as areias cortantes dos desertos.

Que importa que ignores minha sede
se tua miragem é água cristalina.

E a miragem eu firo com mil línguas
e cada uma é um pássaro.


Da redação do DP:


A poetisa, Micheliny Verunschk, 32 anos, é a única mulher, a única estreante, a única nordestina e a mais jovem entre os dez finalistas que concorrem ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira.
A lista foi divulgada no último dia 10/outubro. O vencedores serão conhecidos no dia 9 de novembro, mas a indicação já revela a singularidade da escritora.

Nascida em Recife, Micheliny tem raízes em Arcoverde, primeira cidade do sertão pernambucano. Ali, onde a seca assola e falta água, cresceu a poetisa, em meio à fertilidade de manifestações culturais: samba-de-coco, coco raízes e reisado. Entretanto não é daí que brota sua poesia.

"Geografia Íntima do Deserto" (Landy, 2003), que concorre ao prêmio, ao contrário do que pode sugerir o título e a associação deste com a biografia da autora, nada tem desse imaginário nordestino. É "poesia do não-lugar". "Procuro não deixá-la datada", diz.

Contra os rótulos, para ela, "poesia não tem gênero, local, etnia ou temática. O poeta tem de fingir que não é ele sendo ele mesmo. "Sou uma farsante", se diverte com a idéia. "Não é porque sou mulher que minha poesia tem de ser erótica ou cor-de-rosa."

Micheliny cria a partir de imagens. "Tento transformar imagens em palavras. Travo uma luta com as palavras. Elas fogem. Preciso laçá-las. Escolho ritmos e metáforas para traduzi-las. O poema me acompanha por alguns dias de gestação. É muito triste quando não consigo fazê-lo nascer."

Segundo ela, esse processo nada tem a ver com inspiração, mas com elaboração. "Para construir um edifício de palavras, a base precisa ser firme. Caso contrário, o prédio fica torto e não é a Torre de Pisa", compara.

"O rei está nu e no jornal", diz Micheliny, se referindo ao interesse que seu trabalho vem despertando. "Temo ser a bola da vez. O que quero é fazer bons poemas. Não quero me tornar uma escritora profissional. Enquanto achar que há um poema bom, continuo a publicar. Se não, não publico."

Micheliny se considera tímida, mas vê como especial a possibilidade de ser instrumento de destaque para a poesia. Ela é o patinho feio da literatura. "Quando a poesia aparece é importante aproveitar o momento. Dar voz aos contemporâneos, revelar aqueles que ainda têm uma estrada por fazer". Nesse caminho, o objetivo de Micheliny é passar pelo crivo de sua autocrítica. "Preciso muito escrever bem. Reescreveria o "Geografia Íntima..." todinho. Meu exemplar está todo rabiscado."

Filha de um militar e de uma professora de geografia, diz que isso não tem relação com o título do livro. No entanto não nega a influência dos pais em sua formação. "Desde muito cedo ganhava livros. Era colocada para dormir ouvindo poemas", recorda. Hoje, ambos são seus leitores. "Eles são críticos e deslumbrados pelo monstro que criaram", brinca.
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Micheliny começou a cursar faculdade de psicologia, no Recife, mas não se identificou. Optou pelo curso de história, que cursou em Arcoverde, motivada por uma leitura "um pouco torta", nas palavras dela. "Não queria fazer letras, mas gostava de literatura. Escolhi história porque toda história é uma invenção, uma ficção a partir da visão de um herói", avalia.
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Para o blog Conexão Cultural é um orgulho fazer conhecer a escritora poetisa, Micheliny Verunschk: pela qualidade da sua poesia, e por ela ter morado por mais de uma década entre nós.

sábado, 18 de outubro de 2008

BANCO DO BRASIL, 200 ANOS FAZENDO O FUTURO



Fundado em 12 de outubro de 1808, pelo Rei D. João VI, O Banco do Brasil esteve presente em muitos acontecimentos políticos e decisões históricas do País.

Seu aniversário foi lembrado por quase toda mídia. No JB foi manchete de primeira página, destacando seu pioneirismo marcado em toda sua trajetória ao longo dos seus 200 anos, sendo o primeiro Banco a ter ações na bolsa, a oferecer crédito agrícola e industrial, a criar o cheque especial, a unificar crédito e débito num só cartão, a investir em desenvolvimento regional sustentável e a oferecer atendimento aos brasileiros no exterior. Portanto é o Banco do Desenvolvimento Regional Sustentável, do Agronegócio e do Comércio Exterior, Banco de Inovação e da Conveniência, do Crédito, da Cultura e do Esporte, Banco do Mundo e da Tecnologia Social.

O Banco do Brasil por ser presente em todo canto do País, foi marcante e decisivo no desenvolvimento de pequenas comunidades. Aqui em Tupanatinga, foi inaugurado em agosto de 1979, na administração do Prefeito da época, Sr. Artur Flor de Sousa. A cidade capengava ainda. As estradas que nos interligavam com os demais municípios nem eram asfaltadas, e o sistema de abastecimento de água era a base de "cacimbas". Devido a carência de escola e professores, muitos dos funcionários do Banco, vindo de outras regiões contribuíram na formação educacional dos nossos jovens. A partir de então, o progresso foi chegando e a Cidade foi adquirindo forma.

Parabéns, Banco do Brasil, pelo seus 200 anos de desenvolvimento, sobremaneira nas longínquas cidades, onde sem sua presença, seria impossível pensar algum progresso!


INAUGURAÇÃO DA AGENCIA DO BANCO DO BRASIL EM TUPANATINGA EM AGOSTO DE 1979