domingo, 4 de março de 2012

Acredito na Educação Como Modo de Revolução

Ser idealista na sociedade de hoje é difícil, todavia possível. Ser idealista é absolutamente necessário e heróico.

Ouvi, nesta semana, de um jovem que ser idealista é está fadado ao suicídio.
Plínio Arruda concebe que não ser idealista remete à loucura.
Portanto o jovem e Plínio Arruda pensam diametralmente oposto.

Ao jovem respondi que sou idealista, otimista e feliz.

No documentário “A Vida e Trajetória de Glauber Rocha” Darci Ribeiro relatou ter Glauber chorado, numa manhã em seu ombro, os males do Brasil: falta de liberdade, ditadura militar, corrupção, força bruta, censura, desigualdades sociais, etc. Coisas pelas quais somente chora um idealista.

È preferível ser idealista e chorar a não ser idealista e não ter sentimento nenhum diante das barbaridades sociais; diante da falta de escrúpulo e compromisso da sociedade brasileira.
A ausência de ideal predispõe o homem a se inserir na corrupção.

A sociedade encontra-se apática.
A última manifestação de envergadura foi o “Fora Collor” e as “Diretas Já”, mas isto já tem tempo. Não há mais a música de protesto de Vandré, Chico, Gil e Caetano... Não há mais a música da legião Urbana (o rock de protesto dos anos 80). O PT tornou-se decepção.

Todas as grandes transformações na economia, na sociedade ou na vida pessoal surgem após um estado de apatia. É como se o estado de apatia fosse o útero gerador de mudanças.
Pode-se ver que há nesta sociedade apática, embora em minoria, grandes heróis, grandes idealistas. Enquanto houver idealistas temos motivos para acreditar no Brasil.
Darci Ribeiro escreveu: “Estou velho e perdi todas as minhas lutas. Mas não queria está no lugar dos meus vencedores. O Brasil é o país do futuro. Os jovens irão continuar meu trabalho”.

Qual a forma de agir ideologicamente (fazer revolução) na sociedade atual?
- Já se acreditou em mudar o Brasil através da luta armada. Não deu certo.
- Já se falou em mudar o Brasil pelo voto. Também não deu certo.

A revolução que se fará na sociedade de hoje se dará pela educação. Todavia, é necessário ter muita paciência porque é um processo lento.
Paciência e otimismo como os tinham Darci Ribeiro e Teotônio Vilela; como somente os idealistas são capazes de tê-los.

Não se cria nenhum novo paradigma na sociedade que não tenha por base um novo estágio de consciência do seu povo. Por conseguinte, sem educação não há revolução (Não se faz revolução sem que o povo esteja preparado: a revolução tem sustentação no povo).
No caso em questão, um novo paradigma, a revolução pela educação propriamente, se estabelece no momento em que a sociedade democrática se apercebe dos seus direitos e os faz valer, seja pelo processo de associação ou pela via judicial. Ainda que não tenha votado corretamente.

Que me desculpe o jovem citado no início deste texto, mas eu concordo é com Plínio Arruda.

por Edezilton Martins

Um comentário:

Além da Sujetividade Perdida disse...

Como sempre, ótima reflexão Edezilton. PARABÉNS
Concordo com você e com o Plínio Arruda.

Concordo também que a revolução de paradigmas que precisamos depende da Educação, ou, como você falou, sem Educação não há revolução.

No entanto, a Educação, em seu modelo atual, também é responsável pelo modelo de sociedade e valores que temos e que, por compreendermos como inadequado, desejamos a mudança. Infelizmente, a sociedade que precisa ser revolucionada é produto desse modelo de Educação.

Portanto, como pode a Educação, em seu modelo atual, gerar a revolução?

Nesse caso, digo, que não existe Educação (no sentido amplo, que precisa ainda ser concretizado) sem revolução de valores, ideias e ideais.

Assim, temos, no mínimo, uma situação gostosa para o exercício do pensar ... pode parecer um tanto paradoxal...mas é algo assim:

Não há revolução sem Educação; Não há Educação que que revolucione sem que a mesma não tenha passado por uma revolução.

A Educação para poder ser a base para a revolução, precisa, imprescindivelmente, de revolução.