sexta-feira, 25 de abril de 2008

Poesia de Edezilton Martins

Por Edezilton Martins
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Epifania


De repente a largata se transforma em borboleta
De repente é noite, de repente é dia
De repente.

De repente a menina se torna mulher
De repente tudo morre e renasce diferente e maior.

Em um momento somos o todo, noutro somos individual
De individual a experiência de ser uno com o todo de repente.

O momento do gozo sexual é muito pequeno.
Eternidade é consciência.

De repente o presente já é passado
A vida passa de repente.

De repente a paixão
A paixão acontece de repente e a toda hora
A mulher amada vai embora de repente.

De repente Deuses, de repente homens.
De repente.
De repente a morte.
.
De repente atingimos a aternidade.


Edezilton Martins, 04/06/2005.




O tempo passa inexorável.
Nascer é comprido; viver é mágico.

Possivelmente, a consciência seja a última realidade.

Os físicos quânticos sabem que matéria é vibração, energia e luz. E sugerem que a matéria tem origem ou sustentação na consciência.
Não se trata da consciência que temos das coisas, dos sentimentos, do outro, etc. Trata-se de algo supra-humano, mas que faz parte do homem, e que ao mesmo tempo une homem e Deus numa unidade. Deus como esta consciência supra-humana.

"Tudo é um" Heráclito. "Tudo é um ou nada tem sentido" Edezilton Martins.

Se a consciência é a última realidade, ela contém a eternidade.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

19 de abril dia do Indio

Um dia conviveremos naturalmente com a cultura do índio,visitaremos sua aldeia como se fosse nossa casa. Já usamos sua cultura como a caça, a pesca e a rede.
Para começarmos nossa homenagem ao dia do Índio, nada mal lembrarmos a música de Jorge Bem, refletindo sobre a falta de uma atenção maior ao Índio brasileiro. Em seguida recitamos uma poesia do nosso poeta Samuel Freitas, sintetizando a preocupação do índio com a fauna e a flora brasileira:

Todo dia era dia de Índio

Composição: Jorge Ben

Curumim,chama
Coatá
Que eu vou contar
Curumim,chama
Coatá Que eu vou contar

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Coatá Coatá,
Curumim

Antes que o homem aqui chegasse
As Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis

Pois todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio
Mas agora eles só têm
O dia 19 de Abril
Mas agora eles só têm
O dia 19 de Abril

Amantes da natureza
Eles são incapazes
Com certeza
De maltratarem uma fêmea
Ou de poluirem o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra,fauna e flora
Pois em sua glória,o índio
É o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria
Da alegria de viver!
Da alegria de viver!

E no entanto,hoje
O seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio
Curumim,Coatá
Coatá,Curumim
Terêrê,oh yeah!
Tecerei,oh!


Descendente de Índio
Samuel Freitas

Eu sou descendente de índio
E nasci por aqui
Eu sou mais um guerreiro
Sou Brasileiro
Descendente de Tupi

Tupã é meu pai
Cresci junto com a natureza
Cresci junto com a flora
E com os animais

Eu queria saber,
Humanos que convivem aqui,
O que pensa você?
A respeito dessa terra
Se você faz guerra
Pra matar e morrer

Preserve nossa floresta
E os povos que moram lá
Se você não quer morrer
Pra quê você quer matar



Nesta semana comemora-se o dia do índio, o qual foi criado em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, devido à data em que os índios resolveram aderir ao congresso que ocorreu no México em 1940, para discutir o índio americano.

Estima-se que em 1500 havia, aqui no Brasil, 5.000.000 de índios felizes (“Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade” Oswald de Andrade). Esta população reduziu-se a 1.000.000 de índios em 1800. Hoje a população indígena brasileira, que vem crescendo devido à política social de proteção feita pelos governos, após ditadura militar, gira em torno de 600.000.

Ouve-se falar muito, em tom de crítica, do extermínio do índio brasileiro, da barbárie do colonizador, da imposição de outras culturas ao modo de viver indígena; a catequização é um exemplo.

Reflitamos sobre o extermínio indígena:

Estudos mais completos sobre o índio é feita por diversos estudiosos; pontualmente por Gilberto Freire e Darci Ribeiro. A leitura feita por estes estudiosos, sem negar a barbárie, é que o índio faz parte da formação do povo brasileiro.
Os portugueses ao chegarem ao Brasil tornaram-se, primeiramente, procriadores. Como não havia mulheres brancas suficientes, a procriação deu-se em grande escala com a mulher índia. Os filhos de portugueses com as índias, segundo Darci Ribeiro, nem eram portugueses, nem eram índios. De outro lado o europeu assim como o negro africano introduzido depois, não eram europeus/africanos nem brasileiros. Este povo todo, sem pátria, sem identidade é que formou um novo povo, o povo brasileiro.

O extermínio do índio ocorreu pela escravização, embora o índio não tenha se tornado um bom escravo; pelas doenças do branco; pelo enlace sexual branco x índio dando origem a um novo povo; por guerras; suicídios, etc.

Todavia, a doutrinação, a dominação do índio pelo branco foi primordial para a formação de um Brasil unificado; sobretudo necessário para a formação do povo brasileiro. Desta forma o índio faz parte da história do povo brasileiro. Mas será que fazer parte da história, ter contribuído para a criação de um país unificado, civilizado justifica a barbárie? E que país civilizado temos? Qual a diferença que há entre o índio que comia humanos e um pai que joga a filha pela janela do apartamento?... (“para pensar”).

sábado, 12 de abril de 2008

A Importância da Educação Formal de Qualidade Para Todos

Por Edezilton Martins
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Segundo Darci Ribeiro (do livro “O Povo Brasileiro”) a distância social na sociedade brasileira é enorme. As distancias sociais e culturais são quase tão grandes quanto as que medeiam entre povos distintos.

Na base do funil está a massa constituída de empregadas domésticas, pequenas prostitutas e miseráveis. No topo está a classe dominante, individualista e exploradora.

A estrutura de classe brasileira é a mesma dos tempos da escravidão. De fato não acabou a escravidão no Brasil. O que houve foram adaptações sociais, onde a figura do explorador insensível e mau de um lado, e do outro a massa explorada persistiram.

Para Darci Ribeiro o pobre é feio devido sua condição de ser usado como objeto de trabalho. Quando o pobre ascende à classe dominante sua nova geração é mais bonita, e até aumenta de estatura. Este mesmo pobre ascendido perpetua a estrutura social vigente, pois não tem formação educacional suficiente para criar uma nova estrutura social. No Brasil quem tem condições financeiras e formação educacional manda; quem é dependente financeiramente ou não teve acesso à educação é subserviente.

O motivo desta dicotomia social brasileira é a diferença educacional entre os diversos segmentos que compõem o povo brasileiro.

O grande problema da sociedade brasileira está na insuficiência educacional que leva a massa a aspirar à ascensão social individualmente (inserir-se na classe dominante lhe significa a alforria).

A massa subserviente, bajuladora, sem educação formal vende o seu voto facilmente. O que segundo Darci Ribeiro perpetua a miséria.

Educação de qualidade para todos, saúde de qualidade, mesmo patamar salarial, etc. dentro de um sistema socialista fizeram de Cuba uma sociedade de iguais, diferente da brasileira.

Temos, no Brasil, uma sociedade disforme. Educação igual para todos, desenvolvimento econômico (com governos dispostos a anular os males do capitalismo) nos fará uma sociedade de iguais, em que o eleitor tenderá a não vender seu voto, escolher melhor, e o político tenderá a ser menos corrupto por imposição da sociedade.


José Edimilson disse...

Bem oportuna esta matéria. Se fossemos analisar os efeitos danosos que vivemos e sofremos, causados pela ausência da educação e principalmente da cultura, durante quase toda a história política e social do nosso Pais, talvez entendêssemos os absurdos que ainda comentemos.
Como somos uma nação despolitizada, sem acesso a educação, tornamo-nos uma sociedade cega, incapaz de ter uma visão geral dos absurdos que nos rodeiam e com isto perdemos a oportunidade de correção (de se auto-corrigir). Praticamos os mesmos erros, achando que o errado é certo. Há acadêmicos analfabetos de conscientização tão ignorantes como qualquer um leigo. Quando se aprende errado, dificilmente compreende-se o que é o correto. Por isso os problemas brasileiros são complexos e enquanto uma tenta acertar, a maioria pensa o contrário. Ainda bem que para compensar nossa cegueira, Deus que é brasileiro criou (além de cristo para salvar-nos do pecado) brasileiros como Darci Ribeiro, Gilberto Freire, e tantos outros para salvar-nos da ignorância.

12 de Abril de 2008 15:07


Ismael C disse...
Grande Ede, parabéns pela matéria. Só acrescentando: um povo culto é fruto de um povo rico!
E para propiciar riqueza em nosso pais, alguns ajustes tem que necessáriamente ser feitos. O mais relevante é uma reforma tributária. Quase 40% do PIB, atrás apenas da França e Itália, é nossa carga tributária. Nossa cesta de tributos é em sua maioria taxada no consumo. Quem ganha um salário mínimo, paga sobre uma refeição o mesmo imposto de quem ganha 10, 50 ou 100 salários. 40%!!! Além disso, é facil governar com caixa folgado e vazando por todos os lados. Uma reforma administrativa é necessária, para que gastos sejam cortados e sobrem mais verbas para as necessidades básicas (saúde, educação, segurança, infra estrutura, etc.)E uma reforma drastica nas leis trabalhistas.O velho Marx continua certo: o capital abre todas as portas.

16 de Maio de 2008 17:53

sexta-feira, 11 de abril de 2008

NÃO SÓ DE SECA MORRE-SE O NORDESTINO

Acude poço da cruz-Ibimirim-PE












O Nordeste é reconhecidamente uma região de longos períodos de estiagem. Quando falamos em Nordeste a imagem de seca toma a tela da nossa mente. Mas o que pouco se sabe é que as enchentes também fizeram, e ainda fazem muitas vítimas na região.
O Ceará é um dos estados que mais sofre, tanto com a seca quanto com as enchentes. O Oróz é um dos principais açudes que abastece regiões do estado: denota tristeza quando está seco e faz medo quando está cheio. No sertão do Moxotó, temos o açude do poço da cruz, na cidade de Ibimirim, que atualmente está cheio e recebendo muitos metros cúbicos de água, devido a grande quantidade de chuvas que vem acontecendo em todo o estado, causando preocupação com o um possível desabamento, o que tecnicamente está fora de cogitação.
Quem realmente não conhece ou não se lembra deste fenômeno(enchentes) em outras épocas, com certeza está achando distorcidas as manchetes que estão sendo noticiadas na mídia ("acha-se que não se trata do Nordeste do País"):

» Temporal deixa 12 cidades em estado de emergência no Pará
» Enchentes afetam mais de 390 mil pessoas no Nordeste
» Sem água potável, cidade alagada do PI deve receber carro-pipa
» Sobe número de cidades em situação de emergência no RN
» Piauí registra pior enchente em 25 anos

O número de municípios atingidos e de famílias desabrigadas por causa das fortes chuvas que atingem a Região Nordeste continua aumentando. Segundo dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), órgão ligado ao Ministério da Integração Nacional, o número de municípios atingidos pelas chuvas no Nordeste já chega a 250 e os afetados somam 415.691 (folha on-line).

Este paradoxo sempre existiu. As enchentes não são exclusividade sulista. Como também não é a seca exclusividade nordestina. É como dizia a profecia de António Conselheiro: "Um dia o sertão vai virar mar e o mar vai virar o sertão".

O cantor Raimundo Fagner, anos atrás, gravou uma música chamando atenção para o Brasil, dizendo que no Nordeste não só de seca morre-se o nordestino. Morre-se também de vergonha, de desespero, sem emprego, sem educação, e também se vive, principalmente, sem razão. E para consumar sua desventura, quando não é seca é enchente e a vida continua nessa dialética sem solução.

Titulo da Música: Orós 2 Artista: Fagner


"Não tem só seca no sertão
Quase acabava meu mundo
Quando o Orós impanzinô
Se rebentasse matava
Tudo que a gente plantô
Se não é seca é enchente
Ai, ai, como somo sofredô
Eu só queria saber
O que foi que o Norte fez
Pra vivê nesse pená
Todo nortista é devoto
Não se deita sem rezar
Se não é seca, é enchente, dotô
Que explicação me dá ?
Se o sulista se zangá
Dele eu não tiro a razão
Lá vem a mesma cunversa
Ou ajuda teu irmão
É triste um caboclo forte, dotô,
Ter que estender a mão
Não é só falar de seca
Não tem só seca no serão ... "


Dizem os mais antigos que as enchentes acontecem devido as súplicas exageradas feitas pelos sertanejos, durante os terços e novenas em dia de São José e em épocas de grandes períodos de estiagem. Como recompensa o santo abre as portas do céu sem piedade.

A música súplica cearense, cantada por Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, retrata esta boa vontade do céu cumprindo as suplicas cearenses.
Letra: Súplica Cearense
Composição: Gordurinha e Nelinho

"Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará"

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poetas escrevem Nossa História

Desenvolvi, enquanto universitário, varias pesquisas sobre os valores culturais de Tupanatinga. Uma das grandes dificuldades era encontrar fragmentos da nossa história: documentos de cunho científicos ou quaisquer outros que registrassem algo sobre nossa cultura, nosso povo e nossa gente.
Hoje já é possível encontrar vários registros, apresentados de forma poética pelos artistas locais ou em trabalhos acadêmicos, pelos estudantes de modo geral. Encontrei nesses dias, dois folhetos poéticos, de autores diversos (Júnior Alves e Socorro Gomes), que de forma simples registraram fatos surpreendente do inicio da nossa historia. É o caso do folheto de cordel, de Júnior Alves, aluno da escola Jose Emilio de Melo, que inicia falando do índio, primeiros habitantes não só do País, mas também desta nossa região:

“Eles vieram para cá
Fugindo da escravidão
Deixando suas aldeias
Sofrendo perseguição
Mas construíram suas vidas
Nesse pedaço de chão.

Pois se agruparam aqui
Nessa região atraente
Devido á abundância de água
Nesse lugar existente
E assim de outros lugares
Chegou aqui muita gente

Assim com Filipe Néri
Que nessa região chegou
Uma boa propriedade
Dos índios ele comprou
E fez dessa o que quis
Pois de tudo ele plantou”

Além de trazer fatos importantes sobre o nosso descobridor Filipe Néri, também fala com muita precisão da descoberta da água, uma das maravilhas do nosso Município.

“Dizem que Filipe Néri
Quando logo aqui chegou
No seu pedaço de terra
Um olho d’água estourou
Ele pegou um tronco de pau oco
E em cima deste o colocou

Então jorrou tanta água
Daquele tronco de pau oco
Que causou tanta fissura
Que dava alegria e sufoco
Uma água branca e limpa
Como a clara de um ovo
Assim falaram pra mim
E agora falo para o povo

Contudo os viajantes
Que passavam na estrada
Ouviam certos boatos
De tanta água derramada
Nascida de um pau ocado
Que na terra fora fincado”

Fatos importantes como a religiosidade dos nossos antepassados, registrando o caráter religioso daquele povo com a doação do terreno pelo Sr. Filipe Néri e a compra da imagem da santa pelo Sr. José da Silva.
A vida empresarial da época ficou também registrada no verso abaixo:

“Pois nesse povoado
Antigamente existia
Do senhor António Machado
Uma pequena padaria
E a farmácia do senhor “seba”
Aberta de dia-a-dia

Havia também a loja
De dona Teresa Simões
E a do senhor José Emilio
Que vendia a prestações
Pois a concorrência era pouca
No controle dos tostões “

E a poesia continua rimando a nossa historia, nos versos de Socorro Gomes (Socorro de cabo do Campo). Professora e poetisa, foi mais além: falou do passado e presente. Falou da cultura e da geografia, de política e economia:

“Nosso solo é muito fértil
É uma beleza pura
Só faltam os governantes
Ver mais nossa agricultura
Enxergar mais os artistas
E investir na cultura

Pois temos as nossas danças
Não vamos deixar de lado
Quadrilha, samba de coco
Forro e xaxado
Também temos dança pop
Todas são do nosso agrado

Apresentando um relevo
Mais ou menos acidentado
Uma região pouco plana
Que de longe é notado
São poucos terrenos planos
Mas não foram retratados

A serra do Catimbau
De Buíque pertencente
A serra da Mina Grande
Duas serras, tão descentes.
Essas duas belas serras
Uma parte é da gente”

Parabéns para os poetas, sobretudo os que estão fazendo a nossa história. Um pedaço ali; outro aqui. Se emendarmos os retalhos (escritos) teremos então escrito parte da nossa memória.

domingo, 30 de março de 2008

SEMANA SANTA - DIAS DE REFLEXÃO

cenas da paixão de Cristo nova Jerusalém





Passado dias após semana santa, estou de volta escrevendo comentários, pincelando idéias, que é uma atividade inteligente, proporcionada pela tecnologia, por isso criamos o Blog para interagirmos com você leitor.

Dias de reflexão: Do cálice de Chico Buarque ao Monte Castelo de Renato Russo.

Então tomei um pequeno gole de vinho, pela manhã da sexta-feira santa, para entrarmos em comunhão com essa tradição que é milenar. A idéia de Cristo é de um homem que representou a divindade; a pureza do ser; a paz entre os homens; o amor e seus atributos entre todas as nações. Para não entrar em profecias, deixei tocar, por acaso, a música de Chico Buarque “CALICE”:

“Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue.

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Pai, afasta de mim esse cálice”.

Com mais um cálice de vinho, ficou tudo consumado: todos nós morremos um pouco “a cada cale-se” do nosso dia-a-dia. Principalmente quando calamo-nos diante da possibilidade de melhorar nosso próprio mundo; de vencermos nossos medos; na covardia da nossa submissão.
Na vida nos ensinaram a dizer mais sim que não. Em troca, recebemos mais não que sim. Vivemos horas de agonia, feito cristo no monte das oliveiras.
Mas para não perder o dia que estava só começando, mudei de música. E não mais por acaso, escolhi: “Monte Castelo de RENATO RUSSO”.
A música reúne literatura Portuguesa (Soneto 11 de Camões) e o texto bíblico (carta do apostolo Paulo aos Coríntios cap. 13). Aproveite comigo e faça uma importante leitura tanto cultural como espiritual, mas não esqueça o vinho.

Soneto 11 – Luis de Camões

“O amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?”


Acima de tudo (APOSTOLO PAULO –CORINTIOS 13)
(o amor)


“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos,
se eu não tivesse o amor,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse o amor, eu não seria nada.
Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria.
O amor é paciente,
o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta,
não se incha de orgulho.
Nada faz de inconveniente,
não procura seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
mas regozija-se com a verdade.Tudo desculpa, tudo crê
, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado;
limitada é também a nossa profecia.
Mas, quando vier a perfeição,
desaparecerá o que é limitado.

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.

Depois que me tornei adulto,
deixei o que era próprio de criança.
Agora vemos como em espelho e de maneira confusa;
mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado, •mas depois conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor”.



Monte Castelo
Legião Urbana
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).


“Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece...
O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...
É um estar-se preso
Por vontade. É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade tão contrária a si
É o mesmo amor...
Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...”


Comentário de Edezilton Martins, colaborador deste blog:


Estou em estado de epifania: todas as manhãs nascemos; nasci super-homem nesta manhã; nasci ao ler seu escrito.

“Morremos um pouco a cada cale-se do nosso dia-a-dia”

Vivemos em agonia com este cale-se na boca. Vivemos na covardia da submissão.
Por isto estamos vivos; há gente demais que não mais se indigna.

“Para entender seu cale-se (cálice do Chico Buarque) é preciso ter bebido do vinho amargo da repressão (ditadura), ou ter a sensibilidade de se indignar com a ditadura que ainda existe e nos impõe o silêncio: “Mesmo calado a boca resta o peito, silêncio nas cidades não se escuta”.

Pedir para Cristo ser a redenção da nossa covardia seria ser ainda mais covarde. A covardia é nossa e com ela devemos conviver. Não gosto da representação de que Cristo redime o homem do pecado. O pecado, caso existisse, seria do homem, dele mesmo.

Precisamos de autenticidade e coragem.

30/03/2008, manhã de domingo.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Um Grande Homem: Naná de Odilon

Por Edezilton Martins
.
A sociedade de Tupanatinga perde um grande homem; um sonhador (José Edinaldo Cavalcante). Tupanatinga está órfã. José Edinaldo (Naná de Odilon) faleceu em acidente de trânsito, nesta semana.
A sociedade de hoje é carente de homens que pensam no outro; que tem postura na sociedade, na família, no ciclo de amigos, etc. Naná destoava desta sociedade egoísta.
Aos 46 anos, sonhava com uma sociedade melhor; com uma juventude vencedora. Um maçom fervoroso; um crente em Deus; um empreendedor.
Queríamos ser mágicos, e tirarmos Naná de um fundo de cartola, para a sua família, para seus amigos, para a maçonaria.
Naná é uma daquelas pessoas que ao se irem, continuam vivas na memória dos amigos: um sonhador não morre.
Temos a sensação sempre de que não fazemos tudo que podemos. Teotônio Vilela, no seu último ano de vida, fazendo um balanço da sua trajetória, disse que sua luta pela liberdade, justiça e democracia no âmbito das idéias não surtiram o efeito desejado; que queria ter 20 anos e ser o maior revolucionário da luta armada na América do Sul, e mudar o mundo. Temos o mesmo sentimento de Teotônio Vilela ao assistirmos esta ida de Naná: queríamos ter com Naná 20 anos, para mudar o mundo. Para aos 40/50 anos vivermos numa sociedade mais justa, mais democrática, não corrupta; com liberdade, justiça e decência.
Não podemos errar como pai, como família e amigo. Nisto Naná foi um exemplo maior. Sempre aspirando ao melhor para sua família e amigos. Os amigos e irmãos maçons de Naná também estão órfãos.
São muitos os valores que a sociedade moderna perdeu, mas que continuavam vivos em Naná.
“Adeus Naná! Seus ideais, seus sonhos, seus valores continuam conosco.”



Nana, uma Coluna de Sustentação da Maçonaria


A Loja Maçônica é uma herança importantíssima, deixada por dois maçons, bancários, quando estiveram em Tupanatinga, na década de oitenta, cumprindo suas missões de carreira frente ao Banco do Brasil. Um paulista, Cláudio José Soares, e um paranaense, Olavo Oliveira. E, foi de um ciclo de amizade, respeitosa, que os mesmos tiveram com o Jovem José Edinaldo(Nana) que a idéia fora de fato concretizada. Convidaram outros amigos, fundaram então, a Loja Maçônica Acácia do Agreste, localizada à rua santos Dumont, 93.
Ao longo dos anos, o irmão Jose Edinaldo, foi o único dos fundadores que se manteve coeso e fez com que a Loja Maçônica em Tupanatinga nunca fechasse as portas. Ao contrario de algumas cidades vizinhas que conviveram com interrupções freqüentes, prejudicando seus trabalhos; voltando ao funcionamento períodos depois.
A manutenção da Maçonaria em Tupanatinga é um exemplo de persistência e visão de um homem que não se acovardou, nem se rendeu ao comodismo.
Nana foi, sem dívida, uma coluna de sustentação desse sonho maçônico, milenar na historia da humanidade. E importante para os homens desta Cidade interiorana, carente de auto-estima, liberdade e fraternadidade.
Este Cidadão queria muito mais: vendo que a sociedade não cobrava ou nada fazia pelos jovens; que a educação do nosso país pouco lhes oferecia para o crescimento humano e intelectual; convocou os maçons e instalou o capítulo da Ordem Demolay, beneficiando dezenas de jovens, filhos ou não de maçom.
Uma das suas mais novas cartadas, seria tornar a maçonaria aqui do sertão, liderada pela Loja Barão do Rio Branco, da cidade de Arcoverde, uma corrente única de forças,para tornar a maçonaria de Pernambuco mais interiorana, próxima e sensível aos anseios inovadores dos irmãos sertanejos.
A maçonaria de Tupanatinga continuará coesa, e lembrará de Nana, como também de outros fundadores (irmão Mariano e irmão Izaías de Carvalho), que vivos, enalteceram a Maçonaria.


Comentarios de Amigos

Anônimo disse...
Há Homens que trabalham um dia, e são bons.Há homens que trabalham muitos dias e são muito bons.Há homens que trabalham anos e são melhores.Porém, há homens que trabalham por toda a vida, esses sim são os imprescindíveis...Assim eu vejo o grande homem que perdemos tragicamente, NANÁ FOI IMPRESCIDÍVEL, e nesta surpresa que acompanhada de muito dor, mas que com o conforto consagrado pelo Grande Arquiteto do Universo, nasce em nossos corações o orgulho de termos vivido com um homem de pensamentos e ideologias consagradas a um ser livre e bons costumes e que carregava no sangue os ideais da Liberdade - Igualdade - Fraternidade, além de inúmeras virtudes...E nesta perca imensurável, que todos, inclusive a sociedade Tupanatinguense, realize os sonhos que não foram concretizados por este grande Pai, Irmão, Amigos, Maçom... Portanto, busque referência e forças nas suas inúmeras obras, conquistas e dedicações
.Almério Magalhães Cavalcanti.
14 de Março de 2008 03:51


dilson disse...
Verdadeiramente, Tupanatinga perdeu um grande filho. Se por um lado externarmos o quanto ficamos consternados com sua partida trágica e precoce, por outro, devemos externar também o quanto foi importante sua breve, mas marcante vida. Estamos de LUTO... ...a comunidade acadêmica perdeu também, trágicamente, João Francisco de Souza, professor titular da UFPE. Este magnífico intelectual que defendia a bandeira da "Educação Popular" e era um dos principais divulgadores das idéias freireanas foi assassinado quinta-feira, em Camaçari-Bahia. Estamos de LUTO...
Dilson Cavalcanti
29 de Março de 2008 16:19


Mariano Britto disse...
Edimilson,Você tem razão, Tupanatinga está mais triste com a partida de Naná, Uma figura cativa da nossa querida cidade.Mas, neste momento palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas na imensa saudade que nós sentimos e, se por um instante Deus nos presenteasse com mais um pouco de vida ao lado dessa pessoa tão querida, possivelmente não diríamos tudo o que pensamos, mas definitivamente pensaríamos em tudo o que dissemos.Lembrar do Amor e Respeito que Naná tinha pelos jovens de nossa sociedade, e concomitantemente pelo Capítulo Deusa Branca é enaltecedor para aqueles que fazem parte deste âmbito tão sagrado e edificante da nossa personalidade, que é a Maçonaria. Em especial a nossa querida Acácia do Agreste...Portanto, pensando no que dissemos, fizemos e sentimos, percebemos que os momentos de história que ele realizou aqui na terra foram mais grandiosos do que pequenos.Dizem que apenas a nossa língua possui uma palavra para expressar este tão intenso sentimento: SAUDADE. Penso que saudade é muito mais do que uma expressão, a palavra fica mais pobre diante da grandiosidade do que se sente. Saudade, essa dor tão doida é muito mais que falta, ausência, nostalgia ou qualquer outro substantivo. Saudade é perda, é a certeza da impossibilidade de resgatar algo já vivido, saudade é a dor algumas vezes quase insuportável, diante daquilo que já foi e que nunca mais poderá ser retomado. Saudades de verdade, apenas sentimos quando tomamos consciência, de que o tempo não existe, o movimento nos transporta pelos dias, anos e vamos passando pela vida como um filme diante de uma platéia estática. E como areia fina essa vida vai escoando-se entre os dedos, deixando pelo caminho o rastro das dores, alegrias, perdas e conquistas. Caminho esse que nunca mais voltaremos a trilhar.Saudade é muito mais do que morte, saudade é vida, é o agora que já deixou de ser presente, mas deixou na memória o registro da intensidade do instante vivido. É a lembrança gravada de forma perene dos pequenos e grandes fatos de nossa história.Portanto ao menos resta-nos o consolo de sabermos que, quanto maior for a saudade que sentirmos, com certeza, mais rica terá sido nossa vida vivida.Assim nos consola saber que: Quanto maior a saudade que sentimos por Naná, mais certos ficamos de quão rica foi a nossa amizade, quão ricos os momentos partilhados.Que ao lado do G.’. A.’. D.’. U.’., ele faça mais histórias maravilhosas e intensas como foi sua vida aqui na terra.
Do IR.’. Mariano Britto
1 de Abril de 2008 14:07

segunda-feira, 10 de março de 2008

O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher é uma homenagem a um trágico episódio que aconteceu nos Estados Unidos em 1857, onde muitas mulheres morreram carbonizadas de forma violenta, porque se rebelaram contra melhores condições de trabalho.
Diante dessa tragédia a ONU decretou o dia 8 de março como o dia internacional da mulher.
As mulheres nesse tempo já vinham realizando protestos como o direito ao voto reconhecido pela constituição em 1934, e melhores condições no mercado de trabalho.
Essas mulheres, não só de pura beleza, mas sim grandes lutadoras pelos seus direitos, como qualquer outra pessoa.
Até hoje as mulheres são sinônimos de grandes conquistas, pessoas corajosas. Muitos homens pensam que ser mulher é gerar o filho na barriga; ficar na cozinha preparando a comida; arrumar a casa. Mas hoje isso está mudando: a parcela feminina representa 41% da população economicamente ativa, com 30 milhões de mulheres no mercado de trabalho. No setor educacional, a mulher revela-se na presença de 57% em estudantes do 2º grau e ensino superior, sem falar nos outros setores (medicina, advocacia, no exército da marrinha e outros).
De acordo com a ONU, 25% das mulheres brasileiras são vítimas de violência no seu lar, em apenas 2% dos casos, o agressor é punido, e em cerca de 70% , esse agressor é o marido ou o companheiro. Isso é uma vergonha pra quem pratica essa violência contra mulher, pois muitos de seus companheiros acham que a mulher é um objeto de uso, mas não é. Outro caso importante é a prostituição que por muitas vezes ocorre pela falta de dinheiro.
Mas você mulher, reconheça seu valor; não deixe virar um objeto de uso pessoal dos homens, pois vocês mesmos estarão tirando o seu próprio valor.
A você MULHER, parabéns pela sua conquista e sua vitória, porque hoje é o seu dia!

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Gabriela Ferro



domingo, 2 de março de 2008

O SAMBA DE COCO RAIZ DE TUPANATINGA E A INJUSTIÇA DO ACASO.


O surgimento do coco em nossa região deu-se ainda, quando na formação da nossa Cidade, quando esta era uma pequena vila pertencente ao município de Buíque. Onde as casas eram pequenos casebres feitas de madeira e barro. As famosas casas de taipa (primeiras décadas do ano de 1900). Segundo Mariquinha, 54 anos e sambista do grupo, Júlio de Ocrísio, foi o primeiro a formar o grupo. E tudo começou quando nas construções desses casebres, ele convidava a comunidade para tapar a casa e sambar um coco para aprontar o piso e a festa seria por conta do proprietário.
Os instrumentos utilizados era o ganzá e o pandeiro. O puxador do samba com o ganzá coordenava a roda, e o tocador com o pandeiro animava a festa. Os dançarinos começavam em círculos e cada qual com o seu par. O samba não tinha hora para acabar. Segundo Severino Carqueijo, mestre do ganzá, mesmo quando o sol apontava, puxava-se ainda um outro samba se despedindo do sol. E quando tudo estava claro, o dono da casa satisfeito, verificava ainda se o piso estava pronto.
O grupo manteve-se coeso durante muito tempo na sua primeira formação, coordenado pelo Mestre Júlio de Ocrísio, e os demais como Manoel de Ocrísio, seu Gesso, Zé Preto, João de Maçu, Vicente Preto, Vicente Carqueijo e Gerson França, e as mulheres: Josefa de Manoel Pedreiro e sua filha Luzinete de Manoel Pedreiro, Cícero de Brasi e Vicência Maria de Joana e muitos outros que a história não registrou.

Dos fundadores, Gerson França é o único que conta a história e segundo ele, o coco foi uma das maiores alegrias tanto para ele como para o grupo. Lamenta muito o descaso para com as culturas antigas, ocasionando bem assim, o enfraquecimento das raízes da nossa história, dos valores do nosso povo.
Conta seu Gerson que por conta da ignorância e da prepotência dos tempos modernos " a beleza das coisas perderam a a sua arte". Acredita outrossim, nessa juventude que pode fazer algo de novo pelo velho... (que tudo não seja fogo de palha"). Todavia ri de felicidade por saber que seu samba está sendo comentado, filmado e dançado pelo Brasil a fora.
Severino Carqueijo, Bia Dandô, Mariquinha,(Segunda geração do coco, filhos dos fundadores) e seu Gerson comentam com entusiasmo os momentos que tiveram apoio da prefeitura, no período de 1970 a 1976, na administração de Jaime de Melo Galvão: "Viajamos por quase todas as cidades vizinhas (Arcoverde, Pesqueira, Itaìba, Buique e Águas Belas). A convite, apresentamo-nos em Recife para uma plateia, inclusive grandes nomes da politica do nosso estado como o governador Miguel Arrás, bem assim, como o samba de coco de Arcoverde, e grupos de outras cidades, cujos os aplausos vitoriosos foram para o nosso samba de coco, fazendo estremecer o palco até parecer que tudo desabaria".
O grupo de Samba de Coco de nossa cidade, requer maior valorização, pois é um patrimônio cultural do município e da região. Recursos e Politicas culturais não faltaram nos últimos anos. .
Outros movimentos semelhantes foram contemplados em todo o estado. A nossa sociedade, hoje, tem consciência que a cultura, a educação e história são requisitos essenciais, não somente á cidadania, mas à vida. Esperamos que isto se reflita na política.
A educação que ensina, a cultura que forma e a historia que registra engrandecem o homem.


O SAMBA DE COCO E SUAS REPERCUSSÕES CULTURAIS EM TUPANATINGA

Trabalho de conclusão de curso, apresentado pelos alunos Clebio de Lima Paes e Márcio de Melo Cavalcanti do 8º período do Curso de Licenciatura Plena em História da Aesa/Cesa em cumprimento do estágio Curricular Supervisionado II sob a Disciplina Prática de História, ministrada pela Professora Maria do Carmo Amaral Pereira.




Os autores investigaram sobre um tema cujas repercussões hodiernas fazem se sentir com intensa representação sócia – cultural, sobretudo ser se tem em vista as novas perspectivas abertas pela cultura ou manifestações culturais locais ou regionais.
Essas produções culturais dão consistências a comunidades que por serem pequenas iriam certamente diluir sem na grande história ou quando muito servir como notas de rodapé.
O coco enquanto expressão cultural, transcontinental ganhou na região, que servil como campo de pesquisa elementos que possibilitaram uma unidade sócia – cultural forjando assim uma identidade que sem ser monolítica garante uma aproximação de valores ao mesmo tempo em que produz relações sócias – culturais extremamente produtivas cujo alcance resgata valores e sodilificam representações culturais e econômicas viáveis e regenerativas.

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JUSTIFICATIVA


A escolha deste tema, O SAMBA DE COCO E SUAS REPERCUSSÕES CULTURAIS EM TUPANATINGA, justificam-se pela necessidade de registrar a história local de uma comunidade, que faz parte do processo histórico do município de Tupanatinga.
A força da transmissão da cultura do Samba de coco está viva em uma comunidade humilde, que vive na periferia da cidade, em bairros pobres e nas favelas, e muitas vezes excluídas da sociedade, mas esta camada da sociedade, não perdeu, apesar das adversidades, a sua alegria e força de viver, transformando esta em uma cultura própria, que reflete suas condições de vida e um modo crítico de encarar a realidade, expressando-se, por exemplo, na música e na dança.
O estudo da historia local é fundamental na formação de uma identidade cultural, “a história local pode ter um papel decisivo na construção de memórias (...). É mais fácil a identificação, que ajuda a construir uma identidade, num espaço ou em grupos mais limitados, do que em situações espaciais ou sociais mais latas que adquirem um caráter cada vez mais abstrato”, este trabalho de conclusão de curso, mostra uma parte da cultura local, pois, sua importância, se revela na transmissão do conhecimento cultural tão presente, e ao mesmo tempo tão distante.
A principal fonte deste trabalho é a historia oral, tendo sempre em foco, a procura de novos conhecimentos, evitando segundo Samuel ”tendência administrativa dos documentos”, registrando não os atos dos governantes, mas sim, uma expressão cultural, no cotidiano de uma comunidade excluída.
O registro destes relatos tem como ponto fundamental, segundo Samuel “o relato vivo do passado deve ser tratado com respeito, mas também com crítica; como o morto”, .

Tupanatinga e o coco

As danças como socialização: As danças têm um caráter importante na vida dos negros, como em geral de todos os povos de civilização atrasada. É através da dança que tribos ou grupos de indivíduos se juntam em espíritos de coletividade e solidariedade para um objetivo, isto é, o sacrifício de sua individualidade para a comunhão de uma idéia. É através da dança que podem expressar seus sentimentos de solidariedade em reuniões sociais.
O caráter religioso na dança: Os negros na roda de coco, bem como em outras danças afro-brasileiras mostram a sua religiosidade na música, onde são encontrados em sua letra elementos de caráter religioso, podendo perceber a forte influência da igreja católica em sua cultura.
O coco chegou ao povoado de santa clara: O coco é filho da cultura negra. Para Gilberto Freyre o coco surgiu nos terreiros da casa grande “Danças européias na casa grande. Samba africano no terreiro”, em quanto na casa grande comemorava-se as festas de casamento, batismo etc., os negros e mestiços sambavam no terreiro compartilhando da alegria da casa grande.
O coco nasceu em Alagoas, no quilombo dos palmares, fazendo parte do nosso patrimônio histórico colonial. Depois se estendeu por todo o nordeste. No inicio do séc. XX, no povoado de Santa Clara, o coco foi introduzido pela família dos Ocrízio, sendo seu “chefe”, o Senhor Júlio de Ocrízio, grande poeta do coco. Neste período eles dançavam como forma de sociabilidade e confraternização, segundo dona Mariquinha ”juntava todo mundo e ia sambar para apilar o chão da casa”. O coco é uma dança envolvente e contagiante pelos passos firmes e versos, onde seus participantes começavam a dançar no início da noite até o amanhecer, sem perde o passo, pois o coqueiro não deixava a turma esmorecer.

O coco é uma parte da historia local, seus participantes sempre dançavam em festas dentro de sua comunidade, para comemorar um casamento, graças alcançadas etc. Mais excluídos da sociedade, sem reconhecimento de sua cultura. Embora o coco tivesse na década de 70, durante o governo Jaime de Melo Galvão, o início do seu reconhecimento, quando estes fizeram várias apresentações em cidades circunvizinhas e principalmente no Recife, onde fizeram um verdadeiro show de dança típica emocionando todos aqueles que tiveram a honra de estar presente. O coco depois deste período de brilho foi sendo esquecido, lembrado apenas de forma nostálgica, por seus participantes que temem que sua cultura venha a desaparecer, uma vez que muitos dos que participavam já faleceram levando consigo boa parte de sua cultura, pois esta é uma cultura oral.
Nas cidades em que o coco se apresentou, houve o encontro com outros tipos de culturas ou danças, mas foi em Arcoverde que houve um maior intercâmbio cultural, principalmente através do senhor Ivo do Coco, que chegou a participar de varias rodas de coco em Tupanatinga, tentando inclusive organizar o coco no município, mas suas intenções foram frustradas com a falta de interesse dos lideres da região.
A pesar do pouco interesse do governo municipal em resgatar este tipo de cultura, contrataram uma participante do samba de coco em Tupanatinga, a “dona Mariquinha”, grande bailarina do samba de coco, para ensinar as crianças nas escolas municipais, apesar do trabalho árduo ela tem a esperança de ver preservada sua cultura.
Em uma sociedade elitista o coco enfrenta uma barreira invisível, “o preconceito”, tanto econômico quanto racial, pois seus principais representantes são humildes, que tiram o seu sustento da lavoura e moram na periferia em habitações muitas vezes precárias. Uma vez que o coco é uma dança tipicamente negra e dançada por negros, a sua preservação depende em parte desta superação.
Os participantes do coco em Tupanatinga encontram-se cansados por sua idade avançada, doenças, além de condições de vida insalubres, mas apesar de tantas adversidades que enfrentaram na vida não perderam o sorriso, a dignidade e a esperança de ver sua cultura reconhecida e transmitida aos jovens.

Conclusão

Este trabalho é um registro da cultura locar de um povo excluído, que contribuiu na formação de uma cidade, através de sua força e cultura, tornaram-se parte intrínseca de Tupanatinga, embora esta participação seja negada no processo histórico da região.
Durante a realização deste trabalho, houve um processo de auto-conhecimento, pois entramos em contato com a história de Tupanatinga, onde possibilitou o conhecimento de uma cultura singular da história local. História de pessoas simples como, Dona Mariquinha, Seu Gerson, Severino Carquejo (coqueiro) etc. que se destacaram através de sua cultura.
Esta pesquisa mostrou a necessidade de um trabalho mais detalhado e profundo, onde sejam preenchidas suas lacunas, para que este grupo tenha o devido registro de sua cultura.
Através deste TCC, esperamos que a sociedade tupanatinguense bem como o Poder Público, desperte para a preservação da cultura local. Enquanto ainda existe!





Tupanatinga e o samba de coco

O coco como muitas outras danças têm um papel importante na vida de povos de civilizações atrasadas, pois é através da dança que grupos de indivíduos se juntam em confraternização, deixando de lado suas diferenças em troca de um objetivo “dançar”. O coco é uma cultura transcontinental de origem negra, que nasceu em Alagoas expandindo-se por todo o nordeste. Originalmente se dá em uma roda de dançadores e tocadores, sendo que sua forma musical é cantada, com acompanhamento de um ganzá ou pandeiro e da batida dos pés. A música começa com o tirador de coco (ou coqueiro), que puxa os versos, respondidos em seguida pelo coro. O coco foi introduzido em Tupanatinga no início do séc. XX, através da família dos Ocrízio, sendo seu “chefe”, o Senhor Júlio de Ocrízio, desenvolvendo-se sócio-culturalmente tornado-se parte da história popular da região, embora tenha tido um período de apogeu na década de 70, entrou em declínio em seguida. Seus participantes fazem parte de uma camada excluída da sociedade, muitos vivendo em condições insalubres, apesar das adversidades esperam ver preservada a sua cultura.


Clebio de Lima Paes
Márcio de Melo Cavalcanti
Graduandos de História do CESA-AESA
















sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

CARNAVAL DE TUPANATINGA É HISTÓRIA

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O carnaval de Tupanatinga, amiúde, comprova que tem foliões de verdade, e assim como em Recife, a grande paixão é o Frevo.
Foram quatro dias debaixo de chuveiros, instalados na praça Cel. José Emilio de Melo, específicos para os festejos carnavalescos. Para animar os foliões, o tom foi dado pelo frevo pernambucano, grande destaque do Carnaval da nossa Cidade. Para o vocalista da banda Matrix, da cidade do Recife, Tupanatinga é a bandeira do Frevo no interior do Estado. O que faz com que o nosso carnaval seja uma festa típica e tradicional no cenário carnavalesco pernambucano. Aja animação e descontração! Carnaval de Tupanatinga é espetáculo.
Destacamos a maior participação de foliões fantasiados, como o tradicional bloco das virgens e o desfile do Jaraguá. Outros fantasiados (individualmente) coloriram a praça.
A novidade neste ano foi o bloco do “grupo da terceira idade” (grupo que já se destaca noutros eventos). Nesta edição do carnaval de Tupanatinga brincaram democraticamente todas as gerações e classes sociais.
Portanto, toda essa alegria carnavalesca atravessa gerações. Foliões do passado como seu Dodô, seu Alexandre e os saudosos Pedro Gomes, Genesio Vieira e Pedro Ferro foram os precursores do carnaval de Tupanatinga.
O Carnaval é momento de recordar com muito saudosismo outros carnavais; lembrar com saudade dos velhos sambas, velhos frevos, chorinhos de viola e cavaquinhos; na voz dos grandes poetas que inventaram o Carnaval (Ataulfo Alves, Pixinguinha, Jamelão, Noel Rosa e Capiba). E por que não lembrar também os nossos músicos: Zezinho de Lô, Inácio de Loló, Jabacó, Israel Oliveira e outros violões apaixonados que as cinzas desses velhos carnavais empoeiraram de velhice e esquecimentos.
João de Izais e José Eloi (De), dois guardiões fieis ao frevo e ao carnaval da nossa Cidade. Juntos, foram a força motivadora deste histórico evento, em épocas de poucos recursos e nenhum apoio governamental, mas que arrastavam multidões pelas ruas e praças da cidade; com direito a desfiles de Rainha, Rei momo, papangu, jaraguá e bloco das Virgens (Jabacó, Teófilo, Israel e Dedé de Dona Izaura).
Todas as gerações, hoje em uníssono, pulam no ritmo do frevo, pagode e axé.
Parabéns aos organizadores deste evento. O Carnaval de Tupanatinga é histórico e significativo pela magnitude do seu presente.
No Carnaval descobrimos uma alma vasta, feita de paixão e folia. O carnaval é breve e requer intensidade; como a vida.